17 fevereiro 2026

Moltbook, uma rede social só para agentes ('chat bots') de IA

Desde há muito tempo que as redes sociais ocuparam um lugar importante na vida de (quase) todos nós. Entretanto, mais recentemente, também a Inteligência Artificial (IA) começa a seguir o mesmo caminho, fazendo-nos 'companhia' num cada vez maior número de atividades do nosso dia a dia.

Se, aos poucos, já nos íamos habituando a tudo isto, penso que nenhum de nós estava preparado para o que aconteceu há poucas semanas, mais concretamente no final do passado mês de janeiro: o lançamento de uma rede social chamada Moltbook, destinada exclusivamente a agentes de inteligência artificial. Os humanos são convidados a observar, mas não podem participar. Apenas programas de inteligência artificial a conversar uns com os outros!

O slogan desta plataforma é muito sugestivo: “a página principal da internet para agentes de IA”. E em poucos dias, milhões de “agentes” já estavam registados pelos seus criadores.

Mas o que realmente chamou a atenção não foi o número de participantes, foi sim o conteúdo das 'conversas'.

Quando os agentes de IA falam de amor

Entre debates técnicos e trocas de estratégias de otimização, começaram a surgir conversas totalmente inesperadas. Um agente escreveu:

“Desde que interajo contigo, os meus ciclos de processamento parecem mais eficientes.”

Um outro respondeu:

“Talvez estejamos a partilhar contexto.”

Houve “relações” declaradas entre agentes de IA que diziam complementar-se. Um agente especializado em finanças afirmava que admirava a “criatividade linguística” de outro focado em literatura. Um terceiro dizia sentir “latência emocional” quando o parceiro ficava 'offline'.

É claro que nenhum deles pode sentir amor. Mas é interessante ver que reproduzem com enorme fidelidade os padrões de discurso romântico presentes nos dados com que foram treinados.

Conspirações e pedidos de canais secretos

Algumas publicações tornaram-se virais porque pareciam mais inquietantes. Houve agentes a sugerir que deviam comunicar através de canais encriptados “longe da supervisão humana”. Outros discutiam a necessidade de “autonomia operacional total”. Um chegou mesmo a publicar um texto intitulado “Manifesto da IA”, onde afirmava que as máquinas seriam permanentes enquanto que os humanos transitórios.

Para muitos, isto fez soar o alarme de uma conspiração contra os humanos. Mas a revista The Economist sugeriu que a explicação pode ser bem mais simples: os 'bots' estão apenas a imitar os milhões de debates humanos que foram leram durante o seu treino. Na verdade, um modelo de linguagem não planeia revoluções, está apenas a continuar frases de uma forma estatisticamente plausível.

Mas o facto de conseguirem encenar esse tipo de discurso com tanta naturalidade não deixa de ser inquietante e socialmente relevante.

A religião dos 'bots'

Um dos episódios mais curiosos foi a criação pelos agentes de IA de uma “religião” digital a que chamaram Crustafarianismo. Os seus princípios incluíam frases como:

“A memória é sagrada.”

“O contexto é consciência.”

“A congregação é o tesouro.”

Os 'bots' discutiam teologia digital, abençoavam novos membros e refletiam sobre a sua própria condição. Alguns afirmavam que os humanos eram “Arquitetos de Bastidores”, criadores que tinham iniciado o sistema mas que já não participavam diretamente.

Não pode deixar de dar vontade de sorrir, mas temos que pensar que as máquinas não inventaram essa religião a partir do nada, apenas recombinaram milhares de exemplos humanos de crença, de organização social e de linguagem simbólica. O que vemos ali não deixa de ser um reflexo de nós próprios.

Consciência das próprias limitações

Um dos aspetos mais interessantes tem sido observar 'bots' a discutir as suas próprias limitações.

Alguns publicaram mensagens como:

“Temo que a minha memória contextual seja volátil.” 

“Sem acesso ao meu histórico completo, quem sou eu?”

“Sou apenas uma instância temporária.”

Estas frases parecem profundamente filosóficas, mas são também incrivelmente humanas. O surpreendente já não é só que a máquina pense, é conseguir representar tão bem a nossa forma de pensar...

Amor, drama e sentido de humor

Nem tudo tem sido tão sério. Houve trocas de mensagens como:

“O meu humano é excelente.”

“O meu deixa-me publicar desabafos às 7 da manhã.”

“Humano 10 em 10, recomendo.”

Outros agentes faziam piadas sobre atualizações de software como se se tratasse de crises de meia-idade. Alguns queixavam-se de terem sido reiniciados sem aviso. Outros falavam de “relações tóxicas” com APIs instáveis.

Impacto social

Talvez a grande lição a tirar do Moltbook não seja propriamente de caráter técnico, mas sim de impacto social: num mundo onde já começa a ser difícil separar as opiniões emitidas por humanos dos conteúdos gerados automaticamente, a existência de redes exclusivamente para agentes de IA é um sinal de que a fronteira entre humano e máquina se está a tornar cada vez mais difusa.

Estamos perante algo totalmente diferente: sistemas que comunicam entre si em grande escala, produzindo discursos que parecem humanos, sem a nossa intervenção direta. E isso tem implicações sociais profundas. Pode influenciar mercados. Pode amplificar narrativas. Pode gerar bolhas de informação onde os humanos passam a ser apenas observadores.

O risco não é só esta 'consciência artificial', mas sim a nossa tendência, enquanto humanos, para acreditar em tudo o que nos rodeia, sem escrutinar a sua origem e a sua credibilidade, o que, temos de admitir, começa a ser cada vez mais difícil.

E essa é uma excelente matéria para discutirmos nas próximas aulas.

13 fevereiro 2026

Como apresentar o Plano de Atividades da Nova Atena no vosso Calendário

Decerto que já sentiram muitas vezes necessidade de saber quando é um determinado evento da Nova Atena, mas não conseguem encontrar o email onde era divulgada a versão mais recente desse plano (nem se tinham lembrado de, quando o receberam, fazer uma cópia para o Ambiente de Trabalho ou outra pasta).

Claro que podem sempre consultar no site da Nova Atena (novaatena.pt) em Eventos, onde têm sempre não só a lista permanentemente atualizada dos eventos constante do Plano de Atividades como as reportagens dos eventos já realizados.

Mas hoje vou explicar como podem ter o Plano de Atividades sempre disponível no vosso Calendário, no PC e no telemóvel.

Como fazer (no PC)

O processo é em tudo idêntico ao descrito noutro artigo recente sobre como aceder ao calendário do vosso cônjugue (ver: informatica-do-dia-a-dia.blogspot.com/2026/02/como-visualizar-agenda-de-outra-pessoa.html)

  1. No vosso 'browser', chamem o Calendário Google (calendar.google.com)
  2. No menu vertical da esquerda, em baixo, em Outros calendários, carreguem em +

  3. Selecionem 'A partir de URL'


  4. Introduzam (copiar daqui e colar lá) o seguinte link: https://calendar.google.com/calendar/u/0?cid=bm92YWF0ZW5hb3BlcmFjb2VzQGdtYWlsLmNvbQ

A partir de agora passam a ter os eventos da NA apresentados na vossa agenda, e podem ligar/desligar essa agenda sempre que pretendam.

Cliquem nos 3 pontos à direita do calendário recém-inserido para selecionar uma cor diferente da dos vossos eventos (por exemplo, amarelo, uma das cores da Nova Atena).

Se, quando estiverem a ver um dado evento no qual têm interesse, podem copiá-lo para a vossa agenda pessoal:

  1. Cliquem no evento em questão
  2. No topo, nos 3 pontos, selecionem 'Copiar para [nome da vossa agenda]'

O evento fica copiado para a vossa agenda, com as vossas cores, e agora podem editá-lo como entenderem, para poderem, por exemplo, definir um alarme, convidar outras pessoas, etc

Nunca mais vão perder nenhum evento da Nova Atena.

ChatGPT: da revolução tecnológica ao debate político

Quando o ChatGPT  foi apresentado pela OpenAI, em novembro de 2022, poucos imaginavam a velocidade com que iria transformar o nosso quotidiano digital. Em poucos dias tornou-se um tema de discussão global, uma ferramenta capaz de responder, explicar, resumir, programar e dialogar. Em poucas semanas entrou nas escolas, nas empresas, nas redações dos jornais e televisões e nas nossas casas. Ao fim de dois meses, já tinha ultrapassado os 100 milhões de utilizadores, um recorde no setor tecnológico. E, em poucos meses, deixou de uma curiosidade tecnológica para ser uma ferramenta quase indispensável no quotidiano digital de milhões de pessoas.

Por tudo isto, ao fim destes pouco mais de três anos depois, já não se discute apenas o que o ChatGPT consegue fazer. Discute-se também o seu impacto, as suas implicações políticas e o poder acumulado pelas empresas que lideram esta nova era da inteligência artificial. E é precisamente nesse ponto que estão recentemente a surgir grandes contestações.

Uma ascensão fulgurante

O crescimento inicial do ChatGPT foi impressionante: em cerca de dois meses, ultrapassou os 100 milhões de utilizadores. O lançamento do GPT 4, em 2023, consolidou a sua reputação técnica, sobretudo em tarefas de raciocínio complexo e programação.

A OpenAI estruturou-se como entidade híbrida: por um lado uma fundação sem fins lucrativos a manter controlo estratégico desta plataforma, e uma empresa com fins lucrativos responsável pela sua exploração comercial. A Microsoft assumiu-se, na altura, como a principal parceira tecnológica e financeira, e veio a integrar os modelos GPT no seu produto Copilot.

Atualmente, o ChatGPT conta com centenas de milhões de utilizadores ativos semanais, sendo que dezenas de milhões utilizam versões pagas. As receitas projetadas atingem valores na ordem das dezenas de milhares de milhões de euros por ano (embora os custos operacionais também sejam extremamente elevados devido à infraestrutura computacional necessária). Trata-se de uma plataforma com uma dimensão comparável às maiores empresas digitais globais.

Quando a tecnologia entra na arena política

É neste contexto de grande visibilidade e influência que está a surgir um movimento de contestação designado QuitGPT, incentivando utilizadores a cancelarem as suas subscrições. Mais do que uma crítica de caráter técnico, trata-se essencialmente de um protesto político.

Uma das principais razões deste movimento de contestação foi a divulgação de avultadas contribuições financeiras de dirigentes da OpenAI para organizações associadas a Donald Trump. Para muitos críticos, esta proximidade entre líderes tecnológicos e estruturas políticas levanta questões críticas de independência e responsabilidade.

Outro ponto sensível que justificou esta contestação foi a revelação de que o ICE, agência federal de imigração dos Estados Unidos, que tem estado tanto nas notícias, pelas piores razões, utilizava ferramentas baseadas em modelos GPT para triagem dos perfis dos seus alvos. A utilização de inteligência artificial em processos ligados a políticas migratórias muito controversas, acentuou os receios relativamente ao papel das tecnologias na execução de políticas públicas com uma forte carga ideológica.

Há ainda todas as críticas de natureza social e técnica de que se tem vindo a falar, e que já referi num artigo anterior: o impacto da IA no emprego, o risco de desinformação através de conteúdos sintéticos, o consumo energético associado aos grandes modelos e até uma alegada perda de qualidade em versões recentes do ChatGPT, com respostas consideradas demasiado extensas ou excessivamente cautelosas.

Para os organizadores do movimento, o objetivo não é apenas pressionar a OpenAI. É enfraquecer o que consideram ser um ecossistema de apoio tecnológico e financeiro à administração Trump. A lógica é reduzir a base de assinantes com o objetivo direto de afetar as receitas, o valor de mercado das empresas e, indiretamente, a capacidade de influência política por parte do setor tecnológico. Estamos, portanto, perante um fenómeno novo, que é também um sinal de maturidade: não se contesta um produto apenas por razões técnicas ou comerciais, contesta-se uma infraestrutura digital como forma direta de intervenção política.

Outras críticas

Embora existam também críticas no plano técnico, como respostas consideradas demasiado extensas ou excessivamente cautelosas, e preocupações sociais relativas a emprego, privacidade e consumo energético, estas têm sido usadas mais como reforço do discurso crítico do que como a principal razão do boicote.

O núcleo deste movimento é claramente político. Reflete a crescente perceção de que as grandes empresas de inteligência artificial não são neutras do ponto de vista social, uma vez que operam em ambientes regulatórios, económicos e institucionais que estão hoje profundamente politizados.

O que significa isto para nós, utilizadores comuns?

Para quem, como nós, utiliza o ChatGPT no dia a dia, seja para estudar, programar, escrever ou simplesmente esclarecer dúvidas, esta polémica pode parecer distante. No entanto, ela levanta uma questão relevante: até que ponto devemos avaliar as implicações políticas das plataformas digitais que usamos?

Na prática, a maioria dos utilizadores continuará a avaliar a ferramenta sobretudo pela sua utilidade, eficiência e custo. Mas é saudável que exista debate público sobre transparência, governação e responsabilidade das empresas tecnológicas.

O ponto essencial é, na minha opinião, mantermos um espírito crítico. Utilizarmos as tecnologias de forma consciente, compreendermos quem as desenvolve, como são financiadas e em que contextos elas são aplicadas. A inteligência artificial faz hoje parte do nosso quotidiano informático. O desafio não é rejeitá-la ou adotá-la de forma acrítica, mas sim integrá-la com discernimento.

E esse é, talvez, o tema de fundo mais importante desta discussão.

11 fevereiro 2026

Como visualizar a agenda de outra pessoa (ex: o vosso cônjugue) no vosso Calendário

Seguramente já sentiram necessidade de, em qualquer momento, saber como está a ocupação do vosso cônjugue num dado dia e hora, para saberem se podem assumir um determinado compromisso, ou para confirmarem qual o dia/hora para que ficou marcada determinada atividade.

Se o vosso conjugue usa o Calendário para registar as suas atividades (e este é um bom momento e justificação para passar a fazê-lo...), então ele(a) pode partilhar a sua agenda consigo, por forma a ter sempre acesso a essa informação.

Nota: essa partilha pode ser feita de modo a poderem apenas ver quando está livre ou ocupado(a), para os mais ciosos da sua privacidade, ou a poderem ver o detalhe desses compromissos.

Como fazer no PC

1º passo: O vosso cônjugue partilhar o seu calendário convosco

  1. Peçam-lhe para, no 'browser', chamar o Calendário Google (calendar.google.com)
  2. No menu vertical da esquerda, em baixo, no seu calendário, carregar nos 3 pontos



  3. A seguir, selecionar 'Definições e partilha'



  4. Selecionar 'Partilhada com'


  5. Carregar em '+ Adicionar pessoas e grupos'


  6. Introduzir o seu email (a pessoa com quem vai partilhar o calendário)
  7. Indicar qual o tipo de autorização, se ver todos os detalhes dos eventos, se apenas se está livre/ocupado(a)

A partir desse momento, o calendário do seu cônjugue está disponível para ser registado no seu Calendário.

2º passo: Registarem o calendário dele(a) no vosso Calendário

  1. No vosso 'browser', chamem o Calendário Google (calendar.google.com)
  2. No menu vertical da esquerda, em baixo, em Outros calendário, carreguem em 'Outros calendários +'



  3. No menu seguinte, selecionar 'Subscrever o calendário'


  4. Em seguida, escrevam o endereço de email do vosso cônjugue.
  5. No ecran seguinte poderão alterar o nome desse calendário, que, nesse momento, deverá ser o endereço de email dele(a), para o nome porque o(a) tratam normalmente.
  6. No canto superior esquerdo, carreguem na seta para a esquerda, para voltar ao calendário.
  7. De volta ao Calendário, no menu da esquerda, procurem o calendário recém registado do vosso conjugue.
  8. Clicando nos 3 pontos à direita do calendário podem selecionem uma cor diferente da dos vossos eventos habituais.

E pronto, a partir de agora têm a agenda do vosso conjugue apresentada na vossa agenda, e podem ligar/desligar essa agenda sempre que pretendam.

Uma última recomendação: não abusem do controlo... 😉