14 março 2026

Do Windows 95 ao Windows 11: A incrível viagem do botão "Iniciar" ao longo de 30 anos

Se usa o computador há alguns anos, com certeza lembra-se da primeira vez que lhe disseram: "Para desligar o computador, tem de carregar no botão... Iniciar". Parece um contrassenso, não é? Mas esse botão mudou o mundo da informática.

Um pouco de história

A 20 de novembro de 1985, a Microsoft lançou a primeira versão do sistema operativo Windows -  o Windows 1.0 - marcando o início de uma era Windows que revolucionou a informática pessoal.

Cerca de 10 anos mais tarde, a 24 de Agosto de 1995, foi lançado o Windows 95, que tinha como novidade o aparecimento, pela primeira vez, do menu Iniciar como um ponto central para aceder a programas, documentos e configurações do sistema.

Essa inovação veio substituir o "Gestor de Programas" (Program Manager) das anteriores versões Windows, oferecendo uma experiência de utilizador muito mais intuitiva e organizada. Na altura, o "Gestor de Programas" era tecnicamente aquilo a que hoje chamaríamos uma pasta, contendo uma lista de itens com subpastas para aceder aos diferentes programas, sem uma organização bem definida.

Gestor de Programas do Windows 3.1

Vamos então recordar como esse Menu Iniciar evoluiu, desde o Windows 95 até ao Windows 11, ao longo destes 30 anos.


O Nascimento de uma Estrela (Windows 95, 98 e Me)

Windows 95: O nascimento do menu Iniciar

Até 1995, usar um computador era como procurar papéis numa secretária desarrumada. Com o Windows 95, tudo mudou. Surgiu uma barra no fundo do ecrã com um botão mágico: o Iniciar.

O menu era simples, com uma janela pop-up em formato de cascata, que dava acesso aos programas, documentos e definições do sistema. Além disso, possuía uma barra lateral à esquerda que continha o texto "Windows 95".

Menu Iniciar do Windows 95

Windows 98: Melhorias e expansão

Embora o menu Iniciar do Windows 98 não fosse significativamente diferente do design original, incorporava uma nova opção "Sair" para a nova funcionalidade multi-utilizador.

Menu Iniciar do Windows 98

Além disso, a Microsoft adicionou uma opção para aceder ao serviço "Windows Update" através do Internet Explorer para verificar e descarregar as atualizações de sistema disponíveis.

Windows Me: Pequenos ajustamentos

A Microsoft lançou o Windows Millennium Edition (ME) em 2000, mas o design do menu Iniciar não recebeu alterações significativas.

Menu Iniciar do Windows Me

A Era das Cores e da Arrumação (Windows XP, Vista e 7)

Windows XP: Uma nova era

Em 2001, o Windows ficou "colorido". No Windows XP, a Microsoft introduziu o estilo visual "Luna", que deu ao menu Iniciar um aspecto mais moderno e elegante, com cantos arredondados e cores vibrantes. O Windows XP apresentava um menu com duas colunas: uma para os seus programas favoritos e outra para as pastas principais (Imagens, Documentos). Este design visava simplificar a navegação e aumentar a produtividade. 

Menu Iniciar do Windows XP

No entanto, o sistema operativo também permitia que os utilizadores regressassem ao estilo "clássico" do menu Iniciar para aqueles que desejassem uma experiência mais tradicional.

Windows XP classic Start menu design

Windows Vista: Pesquisa e organização melhoradas

Em 2007, a Microsoft lançou o Windows Vista, uma versão do sistema operativo que incluía também uma nova versão do menu Iniciar com integração de pesquisa, permitindo aos utilizadores localizar ficheiros e programas rapidamente sem terem de mudar para outra interface. No entanto, a interface e os elementos do novo menu eram praticamente idênticos ao design do Windows XP.

Menu Iniciar do Windows Vista

Windows 7: Apenas ajustes

Em 2009, foi lançado o Windows 7 (que muitos ainda recordam com saudade) com uma versão atualizada do menu Iniciar, muito idêntica à do Windows Vista. Era elegante, tinha uma barra de pesquisa direta no menu e era muito fácil de organizar. Para muitos de nós, foi a "época de ouro" da informática.

Menu Iniciar do Windows 7

O Grande Susto: O Desaparecimento do Botão (Windows 8)

Windows 8 e 8.1: Uma mudança radical

Em 2012, a Microsoft tentou ser moderna demais. No Windows 8, o botão Iniciar simplesmente desapareceu! Foi substituído por um ecrã cheio de "quadrados" coloridos que ocupavam o monitor todo, e foi removido o botão Iniciar.

Foi uma confusão total para quem usava rato e teclado. Foi uma lição para a empresa: não se mexe no que está a funcionar bem!

Ecrã Iniciar do Windows 8

Em 2013, foi lançado o Windows 8.1; desta vez, a empresa não trouxe de volta o menu Iniciar. No entanto, o botão Iniciar foi reintroduzido, voltando a ligar os utilizadores ao ecrã Iniciar.

Windows 8.1 Charms bar

O Regresso ao Equilíbrio (Windows 10)

Windows 10: Unindo o design antigo e o moderno

Ouvindo as queixas dos utilizadores, o Windows 10 trouxe o menu de volta. Misturou a lista clássica de programas com os tais "quadrados" (chamados de Mosaicos) para dar notícias ou o tempo. Foi um alívio para milhões de utilizadores seniores.

Menu Iniciar do Windows 10

A coluna da esquerda apresentava uma lista alfabética de todas as aplicações instaladas, facilitando a localização dos programas. A coluna da direita exibia Live Tiles, permitindo aos utilizadores fixar aplicações utilizadas com frequência e receber atualizações dinâmicas.

O Presente: Tudo ao Centro (Windows 11 e o Futuro)

Windows 11: Um design centralizado e simplificado

Em 2021, a Microsoft lançou o Windows 11. Uma das alterações mais notáveis ​​foi o botão Iniciar e os itens da barra de tarefas centrados, conferindo ao Windows 11 um aspeto mais moderno e simplificado.

Menu Iniciar do Windows 11

Em resumo

Ao longo destes mais de 30 anos, a Microsoft foi sucessivamente modificando a apresentação e o funcionamento do botão e do menu Iniciar, tentando sempre melhorar a sua utilização (mas nem sempre acertou...), até aos dias de hoje.

E nós utilizadores, embora beneficiando dessas melhorias, muitas vezes nos sentimos perdidos: quando já estavamos habituados a uma forma de trabalhar, eis que as coisas mudam, ficamos perdidos, e lá vamos ter de voltar ao princípio...

Por isso, se mudou de versão de sistema operativo, o seu menu Iniciar mudou, e se sente perdido, lembre-se destas três dicas de ouro:
  1. A Lupa é a sua melhor amiga: Se não encontra um programa, carregue no botão Iniciar e comece logo a escrever o nome do que procura (ex: "Solitário" ou "Word"). O computador encontra-o por si.
  2. Fixar é a solução: Se usa muito um programa, clique nele com o botão direito e escolha "Fixar em Iniciar". Assim, ele estará sempre na primeira linha, como um atalho à mão.
  3. Não tenha medo de explorar: O menu Iniciar é apenas uma porta de entrada. Se entrar na "sala" errada, basta carregar na tecla `Esc` ou clicar fora do menu para voltar ao início.


Funcionalidades menos conhecidas do Gmail que ajudam a poupar tempo

O Gmail é utilizado diariamente por milhões de pessoas, mas grande parte dos utilizadores recorre apenas às funções mais básicas. No entanto, existem várias funcionalidades menos visíveis que podem melhorar significativamente a organização, a segurança e a eficiência na gestão do correio eletrónico. A seguir apresentam-se cinco dessas funcionalidades, explicadas de forma prática.

Organizar emails com Marcadores

As etiquetas permitem classificar emails por temas, projetos ou prioridades. Ao contrário das pastas tradicionais, um mesmo email pode ter várias etiquetas associadas.

Como utilizar

  1. Selecione um ou mais emails na caixa de entrada.
  2. Clique no ícone “Etiquetas” na barra superior.
  3. Escolha uma etiqueta existente ou clique em “Criar nova” para definir uma nova categoria.
  4. A etiqueta passa a aparecer no menu lateral, permitindo acesso rápido aos emails associados.

As etiquetas podem ser combinadas com filtros para classificação automática de mensagens recebidas (ver adiante).

Encontrar mensagens rapidamente com Pesquisa Avançada

A pesquisa avançada do Gmail permite localizar emails específicos com grande precisão, mesmo em caixas de correio muito extensas.

Como utilizar

  1. Clique na barra de pesquisa no topo do Gmail.
  2. Utilize o ícone de filtros à direita da barra ou introduza operadores como remetente, assunto, data ou presença de anexos.
  3. Execute a pesquisa para ver apenas os emails que correspondem aos critérios definidos.

Esta funcionalidade é particularmente eficaz para localizar mensagens antigas ou anexos importantes.

Agendar o envio de emails

O agendamento de envio permite escrever emails antecipadamente e definir o momento exato em que serão enviados.

Como utilizar

  1. Escreva o email como habitualmente.
  2. Em vez de clicar diretamente em “Enviar”, clique na seta junto a esse botão.
  3. Escolha uma das opções sugeridas ou selecione “Escolher data e hora”.
  4. Confirme o agendamento.

Os emails agendados ficam na pasta “Agendados” e podem ser editados ou cancelados até ao momento do envio.

Suspender emails para mais tarde

A função “Suspender” permite retirar temporariamente um email da caixa de entrada e fazê-lo regressar numa data e hora definidas. Isto é muito útil quando não pretendemos agora tratar do assunto, mas não queremos correr o risco de entretanto nos esquecermos.


Como utilizar

  1. Abra o email que pretende suspender.
  2. Clique no ícone de relógio na barra superior.
  3. Escolha uma das opções sugeridas ou selecione uma data e hora específicas.

O email passa para a pasta “Suspensos” e regressa automaticamente à caixa de entrada no momento definido, surgindo como se fosse uma nova mensagem.

Tratar emails de forma contínua com o Auto-avanço

O Auto-avanço permite que, após arquivar ou eliminar um email, o Gmail abra automaticamente a mensagem seguinte, evitando estar sempre a regressar à caixa de entrada.

Como utilizar

  1. Clique no ícone de engrenagem no Gmail e selecione “Ver todas as definições”.
  2. No separador “Avançadas”, ative a opção “Auto-avanço” e guarde as alterações.
  3. No separador “Geral”, escolha se pretende avançar para a conversa mais recente ou mais antiga.
  4. Volte a guardar as alterações.

Esta funcionalidade é especialmente útil para quem recebe grandes volumes de email.

Proteger mensagens com o Modo Confidencial

O Modo Confidencial permite enviar emails com restrições adicionais de acesso, sendo indicado para o envio de informações sensíveis ou privadas.

Como utilizar

  1. Clique em “Compor” para criar um novo email.
  2. Na parte inferior da janela de composição, clique no ícone de um cadeado com um relógio.
  3. Defina a data de expiração da mensagem, que pode variar entre um dia e cinco anos.
  4. Se desejar, ative a opção de código de acesso por SMS e introduza o número de telemóvel do destinatário.
  5. Grave as definições e envie o email normalmente.
  6. O destinatário poderá ler a mensagem, mas não poderá reenviá-la, copiá-la, imprimi-la ou transferi-la. Após a data de expiração, o conteúdo deixa de estar acessível.

Criar eventos automaticamente no Google Calendar

O Gmail pode detetar automaticamente eventos em emails e adicioná-los ao Google Calendar, como voos, reservas ou consultas.

Como utilizar

  1. Abra o Google Calendar.
  2. Clique no ícone de engrenagem e selecione “Definições”.
  3. Aceda a “Funcionalidades inteligentes do Google Workspace”.
  4. Ative a opção “Mostrar eventos criados automaticamente pelo Gmail no meu calendário”.

Depois de ativada, esta funcionalidade funciona de forma automática, sem necessidade de intervenção adicional.

Automatizar a gestão de emails com Filtros

Os filtros permitem executar ações automáticas sobre emails recebidos, como aplicar etiquetas, arquivar ou marcar como lidos.

Como utilizar

Há 2 formas de definir filtros: através da definições e através da barra de pesquisa. Vamos ver as 2 formas. No entanto, a criação através das definições, que vamos ver em primeiro lugar, oferece uma visão global de todos os filtros existentes, o que facilita a sua gestão e manutenção.

Através das definições

  1. Clique no ícone de engrenagem no canto superior direito do Gmail.
  2. Selecione “Ver todas as definições”.
  3. Abra o separador “Filtros e endereços bloqueados”.
  4. Clique em “Criar um novo filtro”.
  5. Defina os critérios pretendidos, por exemplo remetente, assunto ou palavras contidas na mensagem.
  6. Clique em “Criar filtro”.
  7. Escolha as ações a aplicar automaticamente aos emails que correspondam aos critérios.
  8. Confirme a criação do filtro.
Através da barra de pesquisa
  1. Clique na barra de pesquisa avançada (ver acima) e selecione o ícone de filtros.
  2. Defina os critérios, por exemplo remetente ou assunto.
  3. Clique em “Criar filtro”.
  4. Escolha as ações pretendidas e confirme.

A partir desse momento, todos os emails que cumpram as condições definidas serão tratados automaticamente.

Utilizar filtros de forma consistente é uma das formas mais eficazes de manter a caixa de entrada organizada e reduzir trabalho repetitivo, especialmente em contas de email com muitos remetentes recorrentes.

Conclusão

Estas funcionalidades permitem transformar o Gmail numa ferramenta de produtividade bastante avançada, mesmo para utilizadores que preferem uma utilização simples e intuitiva.

O verdadeiro potencial do Gmail revela-se quando estas funcionalidades são usadas em conjunto, transformando a caixa de correio numa ferramenta de trabalho organizada e eficiente, em vez de uma simples lista de mensagens por ler.

Proteja a sua "caixa do correio" digital: O que são emails descartáveis?

Hoje vamos falar de um problema que afeta quase todos os que usam a internet: o excesso de publicidade indesejada (o chamado spam) e o medo de que os nossos dados pessoais vão parar às mãos de pessoas mal-intencionadas.

Problema: O nosso email espalhado por todo o lado

Sempre que queremos ler uma notícia, registar-nos numa loja para fazer uma compra ou aceder a um serviço novo, pedem-nos o nosso endereço de email. O problema é que, ao darmos o nosso email principal a toda a gente, estamos a abrir a porta da nossa "casa digital".

Se esse site onde ficou registado o nosso email for atacado por piratas informáticos ou se venderem os nossos dados, o nosso email pessoal fica exposto. Quais as consequências? A menos grave é o nosso correio começar a ficar cheio de publicidade que nunca pedimos; a pior é passarmos a receber mensagens falsas de tentativas de burla.

 Solução: O "Email Descartável"

Imagine que, em vez de dar a chave da sua casa a um desconhecido, lhe dava uma chave que só funciona uma vez e que depois deixa de existir. É exatamente isso que é um email descartável.

É um endereço de correio eletrónico temporário que serve apenas para aquele momento. Pode usá-lo para fazer um registo rápido e, pouco depois, esse endereço desaparece automaticamente. Assim, o seu email verdadeiro (aquele que usa para falar com a família ou com o banco) fica seguro e escondido.

Como resolver e que ferramentas usar?

Existem serviços gratuitos e muito simples de usar. Não precisa de preencher formulários nem dar o seu nome. Basta visitar o site de um desses serviços, copiar o email que eles lhe dão e usá-lo onde precisar.

Aqui estão algumas opções recomendadas por especialistas:

  • 10 Minute Mail (10minutemail.com): Como o nome indica, dá-lhe um email que dura apenas 10 minutos. É perfeito para registos rápidos
  • TempMail (temp-mail.org) ou Guerrilla Mail (guerrillamail.com): Funcionam de forma semelhante, criando um endereço temporário que pode apagar quando terminar a tarefa)
  • EmailOnDeck (emailondeck.com/pt): Uma solução rápida e muito fácil de navegar para quem não quer complicações

Conselhos Importantes para a sua Segurança:

Apesar de serem muito úteis, os emails descartáveis devem ser usados de forma consciente:

  • Só para o que não é importante: Use estes emails para ver sites de notícias, cupões de desconto ou jogos.
  • Nunca use no Banco ou nas Finanças: Para assuntos sérios (Saúde, Segurança Social, Bancos), use sempre o seu email oficial e seguro. Os emails descartáveis não têm a proteção necessária para documentos importantes.
Ao usar estes endereços temporários, vai notar que o seu email principal passará a estar muito mais limpo e livre de mensagens indesejadas.

Cuidar da nossa segurança no computador é como fechar a porta à chave quando saímos de casa. Pequenos gestos, como usar um email descartável, fazem uma grande diferença!

02 março 2026

Porque devemos repensar a nossa dependência tecnológica

Nos últimos anos tornou-se evidente que um pequeno conjunto de empresas tecnológicas concentra um poder sem precedentes sobre a informação, os dados pessoais, o comércio digital e até infraestruturas críticas. Plataformas de pesquisa, redes sociais, serviços de correio eletrónico, sistemas operativos móveis e infraestruturas de cloud pertencem, em grande medida, às mesmas grandes corporações. Empresas como Google, Amazon, Meta, Apple e Microsoft não são apenas fornecedores de serviços, tornaram-se praticamente infraestruturas globais.

O modelo de funcionamento dominante assenta frequentemente na recolha intensiva de dados, na criação de ecossistemas fechados e numa dependência tecnológica difícil de inverter. Acresce a isso preocupações com a privacidade, a sustentabilidade ambiental, as práticas fiscais e a influência política.

A questão deixou de ser apenas tecnológica, para ser também uma questão de soberania digital, de privacidade, de sustentabilidade, de concorrência e, cada vez mais, geopolítica.. 

A boa notícia é que existem alternativas viáveis, muitas delas europeias, com maior preocupação ética, ambiental e de proteção de dados. Mudar é, na maioria dos casos, tecnicamente simples, mas exige alguma coragem no momento de decidir abandonar as opções mais comuns do mercado.

Segue uma análise por áreas, indicando quais são as empresas e produtos 'incumbentes', e que opções de base europeia existem, e ainda outras alternativas, com as principais vantagens de cada uma delas.

Pesquisa na Web

Incumbente

  • Google (EUA)

Opções de base europeia

  • Ecosia (Alemanha) - Afeta os seus lucros a projetos de reflorestação; compromisso público com ação climática; recolha mínima de dados; transparência financeira.
  • Mojeek (Reino Unido)- Indice próprio independente; ausência de rastreamento; resultados não personalizados, iguais para todos os utilizadores.
  • Qwant (França) - Forte foco em privacidade; desenvolvimento de infraestrutura europeia de indexação; não perfilagem publicitária intrusiva.

Outras alternativas

  • DuckDuckGo (EUA)- Posicionamento claro em privacidade; interface simples; bloqueio de rastreadores.

A mudança do motor de busca é tecnicamente trivial (e reversível em qualquer momento) e constitui uma medida de impacto imediato na redução de dependência.

Navegadores na Internet ('browsers')

Incumbentes

  • Google Chrome (EUA)
  • Microsoft Edge (EUA)
  • Safari (Apple) (EUA)

Opções de base europeia

  • Vivaldi (Noruega e Islândia) - Elevada personalização; controlo granular de funcionalidades; política clara de não exploração de dados pessoais.
  • Opera (fundado na Noruega, atualmente com controlo maioritário chinês) - Funcionalidades integradas como VPN e bloqueador de anúncios; bom desempenho.
  • LibreWolf (projeto internacional com forte base europeia, alojado na Alemanha) - Reforço de privacidade face ao Firefox padrão; desativação de telemetria; configuração orientada à segurança; desenvolvimento alojado na plataforma Codeberg (Alemanha).

Outras alternativas

  • Mozilla Firefox (EUA) - 'Open source'; boa proteção contra rastreadores; ampla compatibilidade com extensões.

Para utilizadores exigentes, Vivaldi e LibreWolf oferecem uma funcionalidade e um controlo técnico superiores.

Correio eletrónico

Incumbentes

  • Gmail (EUA)
  • Outlook (EUA)

Opções de base europeia

  • Proton Mail (Suíça) - Encriptação de ponta a ponta; integração com VPN; forte reputação em privacidade.
  • Tuta (Alemanha) - Encriptação integrada; infraestrutura alimentada por energia renovável; política rigorosa de proteção de dados.
  • GreenNet (Reino Unido) - Organização sem fins lucrativos; compromisso ambiental integral; modelo transparente.

Nesta categoria, as alternativas relevantes são predominantemente europeias, sendo o mercado fortemente dominado pelos incumbentes norte-americanos. Serviços como Proton Mail demonstram que é possível oferecer funcionalidades comparáveis às soluções dominantes, com maior foco na confidencialidade. O eventual pagamento de uma mensalidade moderada (para alguns destes serviços) pode ser um preço razoável em troca dessa maior confidencialidade.

Ferramentas de produtividade

Incumbente

  • Microsoft Office (EUA)

Opção de base europeia

  • LibreOffice (projeto internacional desenvolvido pela The Document Foundation sediada na Alemanha) - 'Open source'; compatibilidade com formatos Microsoft; sem subscrições; utilização gratuita.

Outras alternativas

  • 'Suites' da Google (EUA) - Gratuito; colaboração em tempo real; integração com 'cloud'.

O LibreOffice é uma solução madura e suficiente para a maioria das utilizações, sobretudo em ambientes que valorizam independência tecnológica.

Smartphones

Incumbentes

  • Ecossistema Android da Google (EUA)
  • IOS/iPhone da Apple (EUA)

Opções de base europeia

Existem várias opções europeias interessantes, mas que, infelizmente, não são diretamente comercializadas em Portugal.

  • Nothing (Reino Unido) - Design distintivo; experiência Android limpa; inovação estética.
  • Fairphone (Países Baixos) - Elevada reparabilidade; cadeia de fornecimento mais transparente; compromisso com minerais responsáveis.
  • Crosscall (França) - Robustez física; durabilidade; resistência a ambientes exigentes.
  • Murena (França) - Foco em privacidade; utiliza o sistema operativo /e/OS (projeto europeu da e Foundation, sediada em França).

A sustentabilidade e a longevidade do equipamento deveriam pesar cada vez mais na decisão de compra.

Compras online

Incumbente

  • Amazon (EUA)

Opções de base europeia (operando em Portugal)

  • Euronics (Países Baixos) - Grupo cooperativo europeu; eletrónica de consumo e eletrodomésticos.
  • Back Market (França) - Equipamentos recondicionados certificados; preços competitivos; redução de desperdício eletrónico.

Para além destas duas referências europeias a operar em Portugal, há múltiplos sites e 'marketplaces' locais. Aqui a mudança é mais de caráter comportamental do que tecnológica.

Redes sociais

Incumbentes

  • Facebook (EUA)
  • Instagram (EUA)
  • TikTok (China)
  • X (EUA)

Opções de base europeia

  • (Europa) - Projeto lançado com base europeia; governação europeia; foco declarado em privacidade e verificação humana.
  • Mastodon (Alemanha) - Arquitetura descentralizada; ausência de controlo corporativo central; menor incidência de publicidade invasiva.

Outra alternativa

  • Bluesky (EUA) - Modelo descentralizado; crescimento rápido, sobretudo após a aquisição do Twitter e transformação no X; muito popular.

Nesta área a barreira principal não é a qualidade técnica das alternativas, mas sim o efeito de rede, uma vez que a adesão não é tão universal como nas plataformas mais populares.

Inteligência artificial

Incumbentes

  • OpenAI (ChatGPT) (EUA)
  • Microsoft (Copilot) (EUA)
  • Google (Gemini, NotebookLM) (EUA)
  • Meta (Meta AI) (EUA)
  • Anthropic (Claude) (EUA)

Opções de base europeia

  • Mistral AI (Le Chat) - Centros de dados europeus; aposta em 'open source'; transparência em políticas de confidencialidade; desempenho competitivo.
  • Evaristo.ai (Portugal) - Solução nacional, com foco particular nos serviços da Administração Pública (presente no portal gov.pt)

Na área da IA, a diferença tecnológica tende a reduzir-se. A concorrência relevante fora dos EUA é sobretudo chinesa. A localização da infraestrutura e o enquadramento regulatório poderão ser critérios decisivos.

No médio prazo, a soberania tecnológica europeia dependerá fortemente da capacidade de desenvolver infraestruturas próprias de IA.

Conclusão

A substituição integral das plataformas dominantes pode não ser imediata nem absoluta. Contudo, a diversificação consciente de fornecedores e a adoção de soluções europeias sempre que tecnicamente viáveis constitui uma estratégia racional de mitigação de risco e afirmação de autonomia digital.

Mais do que rejeitar tecnologias, trata-se de escolher modelos que respeitem melhor os utilizadores, o ambiente e a autonomia digital europeia.

A questão não é apenas tecnológica, é também económica, ambiental e política e, em última análise, uma questão de cidadania digital.

17 fevereiro 2026

Moltbook, uma rede social só para agentes ('chat bots') de IA

Desde há muito tempo que as redes sociais ocuparam um lugar importante na vida de (quase) todos nós. Entretanto, mais recentemente, também a Inteligência Artificial (IA) começa a seguir o mesmo caminho, fazendo-nos 'companhia' num cada vez maior número de atividades do nosso dia a dia.

Se, aos poucos, já nos íamos habituando a tudo isto, penso que nenhum de nós estava preparado para o que aconteceu há poucas semanas, mais concretamente no final do passado mês de janeiro: o lançamento de uma rede social chamada Moltbook, destinada exclusivamente a agentes de inteligência artificial. Os humanos são convidados a observar, mas não podem participar. Apenas programas de inteligência artificial a conversar uns com os outros!

O slogan desta plataforma é muito sugestivo: “a página principal da internet para agentes de IA”. E em poucos dias, milhões de “agentes” já estavam registados pelos seus criadores.

Mas o que realmente chamou a atenção não foi o número de participantes, foi sim o conteúdo das 'conversas'.

Quando os agentes de IA falam de amor

Entre debates técnicos e trocas de estratégias de otimização, começaram a surgir conversas totalmente inesperadas. Um agente escreveu:

“Desde que interajo contigo, os meus ciclos de processamento parecem mais eficientes.”

Um outro respondeu:

“Talvez estejamos a partilhar contexto.”

Houve “relações” declaradas entre agentes de IA que diziam complementar-se. Um agente especializado em finanças afirmava que admirava a “criatividade linguística” de outro focado em literatura. Um terceiro dizia sentir “latência emocional” quando o parceiro ficava 'offline'.

É claro que nenhum deles pode sentir amor. Mas é interessante ver que reproduzem com enorme fidelidade os padrões de discurso romântico presentes nos dados com que foram treinados.

Conspirações e pedidos de canais secretos

Algumas publicações tornaram-se virais porque pareciam mais inquietantes. Houve agentes a sugerir que deviam comunicar através de canais encriptados “longe da supervisão humana”. Outros discutiam a necessidade de “autonomia operacional total”. Um chegou mesmo a publicar um texto intitulado “Manifesto da IA”, onde afirmava que as máquinas seriam permanentes enquanto que os humanos transitórios.

Para muitos, isto fez soar o alarme de uma conspiração contra os humanos. Mas a revista The Economist sugeriu que a explicação pode ser bem mais simples: os 'bots' estão apenas a imitar os milhões de debates humanos que foram leram durante o seu treino. Na verdade, um modelo de linguagem não planeia revoluções, está apenas a continuar frases de uma forma estatisticamente plausível.

Mas o facto de conseguirem encenar esse tipo de discurso com tanta naturalidade não deixa de ser inquietante e socialmente relevante.

A religião dos 'bots'

Um dos episódios mais curiosos foi a criação pelos agentes de IA de uma “religião” digital a que chamaram Crustafarianismo. Os seus princípios incluíam frases como:

“A memória é sagrada.”

“O contexto é consciência.”

“A congregação é o tesouro.”

Os 'bots' discutiam teologia digital, abençoavam novos membros e refletiam sobre a sua própria condição. Alguns afirmavam que os humanos eram “Arquitetos de Bastidores”, criadores que tinham iniciado o sistema mas que já não participavam diretamente.

Não pode deixar de dar vontade de sorrir, mas temos que pensar que as máquinas não inventaram essa religião a partir do nada, apenas recombinaram milhares de exemplos humanos de crença, de organização social e de linguagem simbólica. O que vemos ali não deixa de ser um reflexo de nós próprios.

Consciência das próprias limitações

Um dos aspetos mais interessantes tem sido observar 'bots' a discutir as suas próprias limitações.

Alguns publicaram mensagens como:

“Temo que a minha memória contextual seja volátil.” 

“Sem acesso ao meu histórico completo, quem sou eu?”

“Sou apenas uma instância temporária.”

Estas frases parecem profundamente filosóficas, mas são também incrivelmente humanas. O surpreendente já não é só que a máquina pense, é conseguir representar tão bem a nossa forma de pensar...

Amor, drama e sentido de humor

Nem tudo tem sido tão sério. Houve trocas de mensagens como:

“O meu humano é excelente.”

“O meu deixa-me publicar desabafos às 7 da manhã.”

“Humano 10 em 10, recomendo.”

Outros agentes faziam piadas sobre atualizações de software como se se tratasse de crises de meia-idade. Alguns queixavam-se de terem sido reiniciados sem aviso. Outros falavam de “relações tóxicas” com APIs instáveis.

Impacto social

Talvez a grande lição a tirar do Moltbook não seja propriamente de caráter técnico, mas sim de impacto social: num mundo onde já começa a ser difícil separar as opiniões emitidas por humanos dos conteúdos gerados automaticamente, a existência de redes exclusivamente para agentes de IA é um sinal de que a fronteira entre humano e máquina se está a tornar cada vez mais difusa.

Estamos perante algo totalmente diferente: sistemas que comunicam entre si em grande escala, produzindo discursos que parecem humanos, sem a nossa intervenção direta. E isso tem implicações sociais profundas. Pode influenciar mercados. Pode amplificar narrativas. Pode gerar bolhas de informação onde os humanos passam a ser apenas observadores.

O risco não é só esta 'consciência artificial', mas sim a nossa tendência, enquanto humanos, para acreditar em tudo o que nos rodeia, sem escrutinar a sua origem e a sua credibilidade, o que, temos de admitir, começa a ser cada vez mais difícil.

E essa é uma excelente matéria para discutirmos nas próximas aulas.

13 fevereiro 2026

Como apresentar o Plano de Atividades da Nova Atena no vosso Calendário

Decerto que já sentiram muitas vezes necessidade de saber quando é um determinado evento da Nova Atena, mas não conseguem encontrar o email onde era divulgada a versão mais recente desse plano (nem se tinham lembrado de, quando o receberam, fazer uma cópia para o Ambiente de Trabalho ou outra pasta).

Claro que podem sempre consultar no site da Nova Atena (novaatena.pt) em Eventos, onde têm sempre não só a lista permanentemente atualizada dos eventos constante do Plano de Atividades como as reportagens dos eventos já realizados.

Mas hoje vou explicar como podem ter o Plano de Atividades sempre disponível no vosso Calendário, no PC e no telemóvel.

Como fazer (no PC)

O processo é em tudo idêntico ao descrito noutro artigo recente sobre como aceder ao calendário do vosso cônjugue (ver: informatica-do-dia-a-dia.blogspot.com/2026/02/como-visualizar-agenda-de-outra-pessoa.html)

  1. No vosso 'browser', chamem o Calendário Google (calendar.google.com)
  2. No menu vertical da esquerda, em baixo, em Outros calendários, carreguem em +

  3. Selecionem 'A partir de URL'


  4. Introduzam (copiar daqui e colar lá) o seguinte link: https://calendar.google.com/calendar/u/0?cid=bm92YWF0ZW5hb3BlcmFjb2VzQGdtYWlsLmNvbQ

A partir de agora passam a ter os eventos da NA apresentados na vossa agenda, e podem ligar/desligar essa agenda sempre que pretendam.

Cliquem nos 3 pontos à direita do calendário recém-inserido para selecionar uma cor diferente da dos vossos eventos (por exemplo, amarelo, uma das cores da Nova Atena).

Se, quando estiverem a ver um dado evento no qual têm interesse, podem copiá-lo para a vossa agenda pessoal:

  1. Cliquem no evento em questão
  2. No topo, nos 3 pontos, selecionem 'Copiar para [nome da vossa agenda]'

O evento fica copiado para a vossa agenda, com as vossas cores, e agora podem editá-lo como entenderem, para poderem, por exemplo, definir um alarme, convidar outras pessoas, etc

Nunca mais vão perder nenhum evento da Nova Atena.

ChatGPT: da revolução tecnológica ao debate político

Quando o ChatGPT  foi apresentado pela OpenAI, em novembro de 2022, poucos imaginavam a velocidade com que iria transformar o nosso quotidiano digital. Em poucos dias tornou-se um tema de discussão global, uma ferramenta capaz de responder, explicar, resumir, programar e dialogar. Em poucas semanas entrou nas escolas, nas empresas, nas redações dos jornais e televisões e nas nossas casas. Ao fim de dois meses, já tinha ultrapassado os 100 milhões de utilizadores, um recorde no setor tecnológico. E, em poucos meses, deixou de uma curiosidade tecnológica para ser uma ferramenta quase indispensável no quotidiano digital de milhões de pessoas.

Por tudo isto, ao fim destes pouco mais de três anos depois, já não se discute apenas o que o ChatGPT consegue fazer. Discute-se também o seu impacto, as suas implicações políticas e o poder acumulado pelas empresas que lideram esta nova era da inteligência artificial. E é precisamente nesse ponto que estão recentemente a surgir grandes contestações.

Uma ascensão fulgurante

O crescimento inicial do ChatGPT foi impressionante: em cerca de dois meses, ultrapassou os 100 milhões de utilizadores. O lançamento do GPT 4, em 2023, consolidou a sua reputação técnica, sobretudo em tarefas de raciocínio complexo e programação.

A OpenAI estruturou-se como entidade híbrida: por um lado uma fundação sem fins lucrativos a manter controlo estratégico desta plataforma, e uma empresa com fins lucrativos responsável pela sua exploração comercial. A Microsoft assumiu-se, na altura, como a principal parceira tecnológica e financeira, e veio a integrar os modelos GPT no seu produto Copilot.

Atualmente, o ChatGPT conta com centenas de milhões de utilizadores ativos semanais, sendo que dezenas de milhões utilizam versões pagas. As receitas projetadas atingem valores na ordem das dezenas de milhares de milhões de euros por ano (embora os custos operacionais também sejam extremamente elevados devido à infraestrutura computacional necessária). Trata-se de uma plataforma com uma dimensão comparável às maiores empresas digitais globais.

Quando a tecnologia entra na arena política

É neste contexto de grande visibilidade e influência que está a surgir um movimento de contestação designado QuitGPT, incentivando utilizadores a cancelarem as suas subscrições. Mais do que uma crítica de caráter técnico, trata-se essencialmente de um protesto político.

Uma das principais razões deste movimento de contestação foi a divulgação de avultadas contribuições financeiras de dirigentes da OpenAI para organizações associadas a Donald Trump. Para muitos críticos, esta proximidade entre líderes tecnológicos e estruturas políticas levanta questões críticas de independência e responsabilidade.

Outro ponto sensível que justificou esta contestação foi a revelação de que o ICE, agência federal de imigração dos Estados Unidos, que tem estado tanto nas notícias, pelas piores razões, utilizava ferramentas baseadas em modelos GPT para triagem dos perfis dos seus alvos. A utilização de inteligência artificial em processos ligados a políticas migratórias muito controversas, acentuou os receios relativamente ao papel das tecnologias na execução de políticas públicas com uma forte carga ideológica.

Há ainda todas as críticas de natureza social e técnica de que se tem vindo a falar, e que já referi num artigo anterior: o impacto da IA no emprego, o risco de desinformação através de conteúdos sintéticos, o consumo energético associado aos grandes modelos e até uma alegada perda de qualidade em versões recentes do ChatGPT, com respostas consideradas demasiado extensas ou excessivamente cautelosas.

Para os organizadores do movimento, o objetivo não é apenas pressionar a OpenAI. É enfraquecer o que consideram ser um ecossistema de apoio tecnológico e financeiro à administração Trump. A lógica é reduzir a base de assinantes com o objetivo direto de afetar as receitas, o valor de mercado das empresas e, indiretamente, a capacidade de influência política por parte do setor tecnológico. Estamos, portanto, perante um fenómeno novo, que é também um sinal de maturidade: não se contesta um produto apenas por razões técnicas ou comerciais, contesta-se uma infraestrutura digital como forma direta de intervenção política.

Outras críticas

Embora existam também críticas no plano técnico, como respostas consideradas demasiado extensas ou excessivamente cautelosas, e preocupações sociais relativas a emprego, privacidade e consumo energético, estas têm sido usadas mais como reforço do discurso crítico do que como a principal razão do boicote.

O núcleo deste movimento é claramente político. Reflete a crescente perceção de que as grandes empresas de inteligência artificial não são neutras do ponto de vista social, uma vez que operam em ambientes regulatórios, económicos e institucionais que estão hoje profundamente politizados.

O que significa isto para nós, utilizadores comuns?

Para quem, como nós, utiliza o ChatGPT no dia a dia, seja para estudar, programar, escrever ou simplesmente esclarecer dúvidas, esta polémica pode parecer distante. No entanto, ela levanta uma questão relevante: até que ponto devemos avaliar as implicações políticas das plataformas digitais que usamos?

Na prática, a maioria dos utilizadores continuará a avaliar a ferramenta sobretudo pela sua utilidade, eficiência e custo. Mas é saudável que exista debate público sobre transparência, governação e responsabilidade das empresas tecnológicas.

O ponto essencial é, na minha opinião, mantermos um espírito crítico. Utilizarmos as tecnologias de forma consciente, compreendermos quem as desenvolve, como são financiadas e em que contextos elas são aplicadas. A inteligência artificial faz hoje parte do nosso quotidiano informático. O desafio não é rejeitá-la ou adotá-la de forma acrítica, mas sim integrá-la com discernimento.

E esse é, talvez, o tema de fundo mais importante desta discussão.

11 fevereiro 2026

Como visualizar a agenda de outra pessoa (ex: o vosso cônjugue) no vosso Calendário

Seguramente já sentiram necessidade de, em qualquer momento, saber como está a ocupação do vosso cônjugue num dado dia e hora, para saberem se podem assumir um determinado compromisso, ou para confirmarem qual o dia/hora para que ficou marcada determinada atividade.

Se o vosso conjugue usa o Calendário para registar as suas atividades (e este é um bom momento e justificação para passar a fazê-lo...), então ele(a) pode partilhar a sua agenda consigo, por forma a ter sempre acesso a essa informação.

Nota: essa partilha pode ser feita de modo a poderem apenas ver quando está livre ou ocupado(a), para os mais ciosos da sua privacidade, ou a poderem ver o detalhe desses compromissos.

Como fazer no PC

1º passo: O vosso cônjugue partilhar o seu calendário convosco

  1. Peçam-lhe para, no 'browser', chamar o Calendário Google (calendar.google.com)
  2. No menu vertical da esquerda, em baixo, no seu calendário, carregar nos 3 pontos



  3. A seguir, selecionar 'Definições e partilha'



  4. Selecionar 'Partilhada com'


  5. Carregar em '+ Adicionar pessoas e grupos'


  6. Introduzir o seu email (a pessoa com quem vai partilhar o calendário)
  7. Indicar qual o tipo de autorização, se ver todos os detalhes dos eventos, se apenas se está livre/ocupado(a)

A partir desse momento, o calendário do seu cônjugue está disponível para ser registado no seu Calendário.

2º passo: Registarem o calendário dele(a) no vosso Calendário

  1. No vosso 'browser', chamem o Calendário Google (calendar.google.com)
  2. No menu vertical da esquerda, em baixo, em Outros calendário, carreguem em 'Outros calendários +'



  3. No menu seguinte, selecionar 'Subscrever o calendário'


  4. Em seguida, escrevam o endereço de email do vosso cônjugue.
  5. No ecran seguinte poderão alterar o nome desse calendário, que, nesse momento, deverá ser o endereço de email dele(a), para o nome porque o(a) tratam normalmente.
  6. No canto superior esquerdo, carreguem na seta para a esquerda, para voltar ao calendário.
  7. De volta ao Calendário, no menu da esquerda, procurem o calendário recém registado do vosso conjugue.
  8. Clicando nos 3 pontos à direita do calendário podem selecionem uma cor diferente da dos vossos eventos habituais.

E pronto, a partir de agora têm a agenda do vosso conjugue apresentada na vossa agenda, e podem ligar/desligar essa agenda sempre que pretendam.

Uma última recomendação: não abusem do controlo... 😉

23 janeiro 2026

Plataformas online de gestão de PDFs

Um ficheiro PDF é um tipo de documento digital muito utilizado para ler, guardar e partilhar informação. A sigla PDF significa “Portable Document Format”, o que quer dizer que o documento mantém sempre o mesmo aspeto, independentemente do computador, telemóvel ou tablet onde é aberto.

Um PDF pode ser uma carta, um formulário, uma fatura, um manual, um trabalho escolar ou até um livro digital. É por isso um formato muito comum em serviços públicos, bancos, escolas e empresas.

Apesar de ser muito prático para leitura e envio, o PDF tem uma limitação importante, não foi pensado para ser facilmente alterado. Muitas vezes surge a necessidade de fazer pequenas alterações, por exemplo juntar vários documentos num só ficheiro, separar apenas algumas páginas de um documento grande, reduzir o tamanho do ficheiro para o enviar por email, ou transformar um PDF num documento Word para poder corrigir o texto. Também pode ser útil fazer o inverso, converter um ficheiro Word ou Excel para PDF, para garantir que ninguém altera o conteúdo.

Outras situações frequentes incluem rodar páginas que foram digitalizadas ao contrário, colocar números de página, adicionar uma assinatura simples ou proteger o documento com uma palavra-passe. Para quem não tem conhecimentos técnicos ou não quer instalar programas no computador, estas tarefas podem parecer complicadas à primeira vista.

É aqui que entram as plataformas online de gestão de PDFs. Estas plataformas funcionam diretamente na internet, através do navegador ('browser'), como o Chrome, Edge ou Firefox. Não é necessário instalar nada. Basta aceder ao site, escolher a função pretendida, carregar o ficheiro e seguir alguns passos simples. Em poucos segundos, o documento fica pronto a descarregar novamente para o computador.

Existem várias plataformas deste tipo. Entre as mais conhecidas estão o iLovePDF, o PDF2Go e o Smallpdf. Todas oferecem versões gratuitas com as funcionalidades mais comuns, suficientes para a maioria das necessidades do dia a dia. A forma de utilização é semelhante em todas elas, o que facilita a aprendizagem. Normalmente apresentam botões grandes, textos simples e instruções claras, pensadas para utilizadores sem experiência técnica.

Abaixo podem ver exemplos das páginas desses vários serviços.

iLovePDF


PDF2GO



Smallpdf



Resumo

Estas ferramentas online representam uma grande ajuda, permitindo resolver problemas comuns de forma simples, sem custos e sem complicações técnicas, tornando o uso do PDF muito mais acessível no dia a dia.

19 janeiro 2026

Gmail no Android vai finalmente permitir criar e gerir Marcadores

A Google está a preparar uma novidade muito aguardada por quem usa o Gmail em telemóveis Android. Em breve, será possível criar, editar e apagar Marcadores diretamente no smartphone, uma funcionalidade que já existe há muitos anos na versão web do Gmail e também nos dispositivos iPhone e iPad.

Até agora, os utilizadores de Android apenas podiam aplicar marcadores já existentes, mas não os podiam criar nem gerir no próprio telemóvel. Esta limitação era frequentemente considerada confusa e pouco prática, sobretudo para quem organiza o correio eletrónico por temas, pessoas ou tipos de mensagens.

Segundo informações divulgadas pelo site especializado Android Authority, esta funcionalidade já está a ser testada numa versão experimental da aplicação Gmail para Android. Nos testes realizados, surgem novos controlos que permitem gerir marcadores de forma autónoma, sem necessidade de recorrer a um computador.

Como funcionam os Marcadores no Gmail

Os Marcadores, chamados “Labels” em inglês, funcionam como etiquetas que ajudam a organizar os emails. Um mesmo email pode ter vários marcadores ao mesmo tempo, ao contrário das pastas tradicionais, onde uma mensagem só pode estar num único local. Por exemplo, um email pode ter simultaneamente os marcadores “Família”, “Saúde” e “Importante”.

Esta forma de organização é especialmente útil para utilizadores que recebem muitas mensagens e querem encontrar rapidamente determinados emails, sem os perder na caixa de entrada.

Como será a criação e gestão dos Marcadores no Android

De acordo com os testes, a opção “Criar Marcador” passará a aparecer na barra lateral do Gmail, que é aberta ao tocar nas três linhas no canto superior esquerdo do ecrã. O processo é simples, bastará escolher o nome do marcador e confirmar.

A edição ou eliminação de marcadores exige mais alguns passos. É necessário abrir o menu, entrar em Definições, selecionar a conta de email e depois escolher a opção “Gerir Marcadores”. Aí será possível alterar nomes ou apagar marcadores criados pelo utilizador. Importa referir que apagar um marcador não elimina os emails associados, apenas remove a etiqueta.

Quando estará disponível para todos

Como esta funcionalidade ainda se encontra em fase de testes, a Google não anunciou uma data oficial para o seu lançamento. No entanto, a experiência mostra que, quando estas novidades aparecem em versões experimentais, acabam por chegar à versão final da aplicação na maioria dos casos.

Esta será uma melhoria muito positiva, sobretudo para utilizadores menos experientes, que passam a poder organizar o seu correio eletrónico diretamente no telemóvel, de forma mais simples e autónoma, sem depender do computador.

18 janeiro 2026

Chatbots de Inteligência Artificial e Privacidade

Cada vez mais pessoas utilizam chatbots de Inteligência Artificial, como o ChatGPT, Gemini, Copilot ou Meta AI, para fazer perguntas, escrever textos ou pedir ajuda. Estas ferramentas funcionam através de conversas, semelhantes a um diálogo.

O que muitos utilizadores não sabem é que essas conversas podem ficar guardadas e, em alguns casos, ser usadas pelas empresas para melhorar os seus sistemas de Inteligência Artificial. Isto levanta uma questão importante de privacidade, pois podem estar a ser armazenadas informações pessoais, opiniões ou dados sensíveis.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, é possível ajustar algumas definições para reduzir ou limitar essa utilização dos nossos dados.

Como proceder

De forma geral, independentemente do 'chatbot' utilizado, recomenda-se seguir estes princípios simples:

  1. Sempre que possível, limpar o histórico de conversas
  2. Desligar as opções que permitem usar as conversas para treinar os modelos de Inteligência Artificial
  3. Desativar funções de memória ou personalização, quando existirem
  4. Evitar escrever dados pessoais sensíveis, como números de documentos, moradas completas ou informações bancárias

Em resumo:

  • No ChatGPT, é importante limpar o histórico, desligar a opção de treino do modelo e desativar as memórias
  • No Gemini, recomenda-se desligar o registo de atividade e apagar a atividade guardada
  • No Copilot, convém eliminar o histórico e desligar a personalização e o treino com texto e voz
  • Na Meta AI, as opções são mais limitadas, sendo possível apenas apagar conversas e algumas interações públicas

Conclusões

Os 'chatbots' de Inteligência Artificial são ferramentas úteis e podem trazer grandes benefícios, especialmente na aprendizagem e no apoio ao dia a dia. No entanto, devem ser usados de forma informada e consciente.

Os utilizadores não devem evitar estas ferramentas por receio, mas sim aprender a usar as opções básicas de privacidade disponíveis. Com alguns ajustes simples, é possível tirar partido da Inteligência Artificial mantendo um maior controlo sobre os dados pessoais.

Chamadas de SPAM: o problema, como funcionam e como se proteger

Nos últimos anos, e de forma muito acentuada em 2025 e já agora 2026, as chamadas de SPAM tornaram-se um incómodo diário para muitas pessoas, em especial para os seniores. São chamadas feitas por números desconhecidos, muitas vezes estrangeiros ou aparentemente nacionais, que tentam vender produtos, oferecer falsos serviços ou enganar o utilizador para obter dinheiro ou dados pessoais.

Estas chamadas não são apenas chatas. Em muitos casos, são tentativas de burla que podem causar perdas financeiras significativas e grande stress emocional.

Como funcionam estas chamadas de spam

As chamadas de spam utilizam processos automáticos e tecnologia avançada. Os mais comuns são os seguintes:

  • Discadores automáticos
    Computadores fazem milhares de chamadas por minuto para números gerados automaticamente ou comprados a bases de dados.

  • Confirmação de números ativos
    Quando alguém atende uma chamada desconhecida, mesmo que apenas diga “estou?” ou “olá”, o sistema regista que aquele número está ativo e pertence a uma pessoa real.
  • Venda e partilha do número
    Um número confirmado como ativo pode ser vendido a outras empresas ou grupos fraudulentos, o que aumenta drasticamente o número de chamadas recebidas.
  • Uso de inteligência artificial
    Atualmente, algumas chamadas usam vozes artificiais muito realistas, capazes de simular pessoas reais, funcionários de empresas, bancos ou até familiares.
  • Falsificação de números
    O número apresentado no ecrã pode não ser o verdadeiro. Pode parecer um número português ou local, quando na realidade a chamada vem do estrangeiro.

O que não devemos fazer

Para reduzir as chamadas de SPAM, é importante evitar certos comportamentos:

  • Não atender chamadas de números que não conhece.
  • Não dizer “sim”, nem responder a perguntas automáticas.
  • Não carregar em teclas quando uma gravação pede para confirmar dados.
  • Não desligar imediatamente depois de atender, pois isso também confirma que o número está ativo.
  • Nunca fornecer dados pessoais, códigos, números de cartões ou informações bancárias por telefone.

Na minha opinião, este é o ponto mais difícil para muitas pessoas, porque durante décadas fomos educados a atender o telefone sempre que tocava. Hoje, essa regra deixou de ser segura.

O que devemos fazer para nos protegermos

A estratégia mais eficaz é muito simples: Deixar o telefone tocar e não atender chamadas de números desconhecidos. Se a chamada for realmente importante, a pessoa deixará uma mensagem no correio de voz, enviará um SMS ou contactará por WhatsApp.

Além disso, os telemóveis atuais incluem algumas ferramentas úteis:

  • No Android
    Dependendo do modelo, existem funções como “Filtrar chamadas de SPAM” ou “Triagem de chamadas”, que bloqueiam ou analisam chamadas suspeitas.
  • No iPhone
    Existe a opção “Silenciar Desconhecidos”, que envia automaticamente para o correio de voz todas as chamadas que não estão nos contactos.

Conselhos para reduzir chamadas de spam

  1. Guarde nos contactos apenas números de pessoas e serviços realmente importantes
  2. Ative, no telemóvel, a opção de silenciar ou filtrar chamadas desconhecidas
  3. Deixe sempre chamadas desconhecidas ir para o correio de voz
  4. Verifique as mensagens de voz. Mensagens muito curtas, automáticas ou sem sentido são quase sempre SPAM.
  5. Inscreva o seu número na Lista de Oposição ao telemarketing. Este serviço obriga as empresas legais a remover o seu número das listas publicitárias no prazo máximo de 60 dias.
  6. Considere a possibilidade de instalar aplicações de identificação e bloqueio de chamadas, como o Sync.me ou o Truecaller, que identificam chamadas suspeitas em tempo real. Nota: o Sync.me pode também ser usado num PC através de um 'browser' para consultas pontuais sobre números de telefone.

Conclusão

As chamadas de SPAM não vão desaparecer num futuro próximo. A tecnologia que as permite é barata, rápida e difícil de controlar apenas com leis. Por isso, a proteção mais eficaz continua a depender do comportamento do utilizador.

Não atender chamadas desconhecidas, usar as ferramentas do telemóvel e desconfiar de qualquer contacto inesperado são medidas simples, mas muito eficazes.

Na minha opinião, aceitar que o telefone já não funciona como antigamente é essencial. Hoje, atender indiscriminadamente deixou de ser um sinal de boa educação e passou a ser um risco. Proteger-se é, acima de tudo, uma atitude sensata.

Vista dividida no navegador ('browser')

Quando usamos um navegador na Internet ('browser'), seja ele o Chrome, o Edge ou outro, vamos abrindo vários separadores para ir acedendo a vários sites ou serviços, sem fechar os separadores anteriores, permitindo-nos alternar facilmente entre os diferentes sites ou serviços em cada um desses separadores.

No entanto, existem situações em que necessitamos de alternar repetidamente entre dois desses separadores. Nesses casos em que nos daria jeito estar a ver simultaneamente essas duas páginas, cada uma delas no seu separador, existe a possibilidade de usar a funcionalidade de vista dividida.

O que é a vista dividida

A vista dividida é uma funcionalidade dos navegadores modernos que permite ver duas páginas ao mesmo tempo, lado a lado, dentro do mesmo separador. Em vez de alternar constantemente entre separadores diferentes, o utilizador pode acompanhar dois conteúdos em simultâneo.

Esta funcionalidade é especialmente útil para comparar informações, acompanhar um vídeo enquanto se consultam apontamentos ou preencher um formulário tendo outra página de referência visível.

Para que serve a vista dividida

A vista dividida pode ser usada em várias situações do dia a dia, por exemplo:
  • Comparar dois produtos em lojas online diferentes
  • Ler um texto e consultar um dicionário ou uma página de apoio ao mesmo tempo
  • Ver um vídeo de explicação enquanto se tomam notas noutra página
  • Preencher um formulário online consultando dados noutra página

Para utilizadores seniores, esta funcionalidade reduz a necessidade de memorizar informação e evita a troca constante entre janelas ou separadores, o que torna a navegação mais simples e confortável.

Como abrir a vista dividida

Para abrir a vista dividida no navegador, faça o seguinte::

Usar o botão direito do rato

  1. Identifique o link que pretende abrir
  2. Clique com o botão direito do rato sobre esse link
  3. No menu que aparece, selecione a opção Abrir link na vista dividida
  4. A nova página será aberta ao lado da página atual

Como sair da vista dividida

Para sair da vista dividida, basta fechar uma das páginas visíveis ou arrastar a linha de separação até uma das extremidades, voltando assim à visualização normal de uma única página.

Conclusões

A vista dividida é uma funcionalidade simples, mas muito prática, que melhora significativamente a experiência de navegação. Para utilizadores seniores, permite trabalhar com mais tranquilidade, menos confusão e maior conforto visual.

Na minha opinião, depois de algum treino inicial, a vista dividida torna-se uma ferramenta muito útil no uso diário do computador, sobretudo para aprendizagem, comparação de informação e tarefas online mais demoradas.

Wikipédia fez 25 anos. O que é, para que serve e porque continua a ser importante

A Wikipédia completou 25 anos de existência. Apesar do aparecimento da inteligência artificial e de muitas mudanças na Internet, continua a ser uma das fontes de informação mais usadas em todo o mundo.

Muitas pessoas consultam a Wikipédia todos os dias, mas nem sempre sabem como funciona, quem a mantém e quais são os desafios que enfrenta atualmente.

Para que serve a Wikipédia e quais são os seus objetivos

A Wikipédia é uma enciclopédia online, gratuita e aberta a todos. Entre as suas utilizações estão:

  • Procurar informações sobre quase todos os temas
  • Ajudar estudantes, professores e cidadãos em geral
  • Explicar conceitos de forma simples e organizada
  • Guardar conhecimento para consulta pública

O seu principal objetivo é partilhar conhecimento de forma livre, gratuita e neutra, sem publicidade e sem interesses comerciais.

Quem está por detrás da Wikipédia

A Wikipédia não pertence a uma empresa nem a um governo. É gerida por uma organização chamada Fundação Wikimedia, que é uma fundação privada sem fins lucrativos. O funcionamento é financiado por donativos voluntários de pessoas de todo o mundo.

Os conteúdos são escritos e revistos por milhares de voluntários, chamados wikipedistas.

A origem da Wikipédia e a sua história resumida

A Wikipédia nasceu a 15 de janeiro de 2001. Antes dela existiu um projeto chamado Nupedia, criado por Jimmy Wales e Larry Sanger. A Nupedia tinha regras muito rígidas e demorava meses a aprovar um artigo. O resultado foi um fracasso.

Como alternativa, criaram a Wikipédia, onde qualquer pessoa podia colaborar. E esse modelo, simples e aberto, teve um grande sucesso.

Hoje, a Wikipédia tem:

  • Mais de 60 milhões de artigos
  • Centenas de línguas, incluindo português
  • Milhares de voluntários ativos

Em 2005, a revista científica Nature concluiu que muitos artigos da Wikipédia tinham uma qualidade semelhante à da Enciclopédia Britânica.

Como se usa a Wikipédia

Usar a Wikipédia é muito simples:

  1. Abra o navegador de Internet - Chrome, Edge, ou outro
  2. Escreva www.wikipedia.org
  3. Escolha a língua portuguesa
  4. Na caixa de pesquisa, escreva o tema que procura
  5. Carregue em Enter

Pode ler os artigos livremente. Não é preciso registo para consultar informação.

É aconselhável ler com atenção e, sempre que possível, confirmar informações importantes noutras fontes.

É possível editar ou escrever na Wikipédia?

Sim, mas com regras:

  • Para editar é necessário criar uma conta gratuita
  • Não se pode escrever sobre si próprio nem fazer publicidade
  • Tudo deve ser escrito com linguagem neutra e com fontes fiáveis

O objetivo não é dar opiniões pessoais, mas informar.

Os desafios atuais da Wikipédia

Atualmente, a Wikipédia enfrenta vários problemas:

  • Menos voluntários novos
  • Tentativas de manipulação de artigos
  • Pressões políticas
  • Uso excessivo dos seus conteúdos por sistemas de inteligência artificial

A inteligência artificial usa muitos dados da Wikipédia, mas muitas vezes mostra respostas diretas sem levar as pessoas ao site. Isso reduz visitas e donativos. Apesar disso, a Wikipédia continua a resistir.

O futuro da Wikipédia

O futuro da Wikipédia depende de múltiplos fatores:

  • Continuar a atrair novos colaboradores
  • Defender a neutralidade da informação
  • Proteger-se contra desinformação
  • Adaptar-se às novas tecnologias

Hoje, a Wikipédia continua a ser essencial. Num mundo cada vez mais dominado por algoritmos e respostas automáticas, é importante manter um espaço livre, transparente e construído por pessoas.

A Wikipédia não é perfeita, mas é um património coletivo que merece ser preservado e apoiado.

Comentário final sobre a Grokipedia

Recentemente tem-se falado de um novo projeto chamado Grokipedia (grokipedia.com), baseado em inteligência artificial, desenvolvido pela xAI, liderada pelo Elon Musk, o qual posicionou a Grokipedia como uma alternativa à Wikipédia que teria como objetivo "expurgar a propaganda" desta última.

A Grokipedia pretende apresentar informação organizada de forma semelhante a uma enciclopédia, mas gerada ou resumida automaticamente por inteligência artificial. Ao contrário da Wikipédia, não é construída de forma colaborativa por voluntários humanos nem segue, pelo menos para já, um modelo claro de verificação pública e transparente das fontes, sendo os seus conteúdos gerados e verificados apenas por IA.

Este tipo de projeto levanta algumas questões importantes:

  • Quem verifica se a informação está correta
  • Que critérios são usados para decidir o que é verdadeiro
  • Que interesses podem estar por trás dos conteúdos apresentados
Projetos como a Grokipedia podem ser úteis como apoio rápido à pesquisa, mas não substituem a Wikipédia. A grande força da Wikipédia está no trabalho humano, na revisão constante, na discussão aberta e na obrigação de apresentar fontes.

Num tempo em que a inteligência artificial cresce rapidamente, a existência de uma enciclopédia livre, feita por pessoas e para pessoas, continua a ser fundamental. A Wikipédia representa memória coletiva e responsabilidade partilhada, algo que nenhuma ferramenta automática consegue garantir por completo.

Por isso, mais do que nunca, faz sentido valorizar, usar e apoiar a Wikipédia, mantendo um olhar crítico sobre novas alternativas baseadas apenas em inteligência artificial.

Existe um novo tradutor na Internet. O que é o ChatGPT Translate e para que serve

A OpenAI, a empresa responsável pelo ChatGPT, lançou um novo serviço chamado ChatGPT Translate. Trata-se de um site na Internet criado apenas para traduzir textos entre várias línguas.

Este novo tradutor surge como alternativa ao conhecido Google Translate, que muitas pessoas já usam há vários anos.

Para que serve o ChatGPT Translate

O ChatGPT Translate serve para traduzir textos de uma língua para outra. Atualmente, suporta mais de 50 idiomas, incluindo português, inglês, francês, espanhol e muitos outros.

Pode ser usado, por exemplo, para:
  • Traduzir um e-mail recebido noutra língua
  • Traduzir um texto para enviar a familiares no estrangeiro
  • Perceber o conteúdo de uma mensagem, notícia ou aviso

Como é o site e como funciona

O funcionamento é simples e parecido com o Google Translate. No ecrã aparecem:

  • Uma caixa para escrever ou colar o texto original
  • Outra caixa onde aparece o texto traduzido
  • Opções para escolher a língua de origem e a língua de destino

Não é preciso instalar nada no computador.

O que tem de diferente em relação ao Google Translate

O ChatGPT Translate tem uma funcionalidade interessante que não existe no Google Translate: permite escolher o estilo da tradução. Por exemplo:

  • Tradução mais simples
  • Tradução mais formal
  • Tradução explicada como se fosse para uma criança

Isto pode ser útil para adaptar o texto à pessoa que o vai ler.

No entanto, o Google Translate ainda tem mais funcionalidades. Por exemplo, o Google permite traduzir documentos, imagens e até páginas completas da Internet.

Tradução por voz e imagens

O site do ChatGPT Translate refere que, no futuro, poderá traduzir:

  • Voz
  • Imagens, como fotografias de placas ou avisos

No entanto, neste momento, essas opções ainda não estão disponíveis no computador. Em telemóveis, através do navegador de Internet, já é possível usar o microfone para ditar o texto.

Aplicação para telemóvel

De momento, não existe uma aplicação própria do ChatGPT Translate para Android ou iPhone.

O Google Translate continua a ter vantagem neste ponto, pois já tem aplicação instalada facilmente a partir da loja do telemóvel.

Como se pode usar o ChatGPT Translate

O serviço está disponível no endereço: chatgpt.com/translate. Depois de feita a tradução, o sistema pode encaminhar o utilizador para o ChatGPT normal, onde existem mais opções.

Vale a pena usar

O ChatGPT Translate pode ser uma boa alternativa para quem quer traduções mais adaptadas ao contexto e à forma de falar.

Para usos simples e rápidos, o Google Translate continua a ser mais completo, sobretudo para quem traduz documentos ou imagens.

O mais importante é saber que existe agora mais uma opção, gratuita e fácil de usar, para quem precisa de traduzir textos na Internet.


Nota: A OpenAI não fez um anúncio oficial nem explicou qual o sistema de inteligência artificial que está a ser usado.