24 junho 2026

Já é possível alterar o seu endereço do Gmail - para quê e como?

Introdução: o mercado dos serviços (gratuitos) de email

Desde o seu lançamento em 2004, o Gmail consolidou-se como o serviço de correio eletrónico mais popular do mundo, com um total de cerca de 1800 milhões de utilizadores.

Claro que todas as empresas têm os serviços de email para os seus empregados, baseados em soluções internas dedicadas. Não é disso que vamos falar aqui; estamos a considerar apenas contas de email pessoais, que utilizam serviços gratuitos, como é o caso do Gmail (mas também do Outlook, Hotmail ou Yahoo! internacionalmente, ou do Sapo, Netcabo, e outros em Portugal).

Considerando apenas serviços gratuitos, vejamos os números de utilizadores (e a quota de mercado) dos 4 maiores a nível mundial:

  • Gmail (Google) - 1800 milhões (50,9%)
  • iCloud (Apple) - 950 milhões (26,9%)(1)
  • Outlook/Hotmail (Microsoft) - 400 milhões (11,3%)
  • Yahoo! - 225 milhões (6,4%)

Em Portugal, onde a influência do Apple iPhone é muito menos relevante, a percentagem de utilizadores de Gmail é ainda mais avassaladora, estando estimada em 70-80%.

Por curiosidade, o universo de associados da Nova Atena reflete igualmente esta realidade. A distribuição da utilização de serviços de email (com base no endereço principal registado na inscriçãodos associados) é a seguinte:

  • Gmail - 74%
  • Hotmail - 10%
  • Sapo - 8%
  • Netcabo - 3%
  • Outlook - 1%
  • Outros - 4%

Porque é que tantas pessoas têm contas Gmail?

Provavelmente alguns de nós, sobretudo aqueles que têm contas de Gmail há mais anos, criámos uma conta Gmail porque, entre outras possíveis alternativas, achámos que o Gmail era, na altura, 'o que estava a dar'...

No entanto, para muitos outros, a razão porque têm Gmail tem origem na compra do seu primeiro 'smartphone'. Em Portugal, a Apple tem uma presença bastante menor do que noutros mercados, e a grande probabilidade é que o primeiro 'smartphone' que compraram fosse Android (da Google) e, no momento da sua configuração inicial, foi-vos pedida uma conta Google e o mais certo é, nessa altura, terem criado a vossa primeira conta Gmail para esse efeito(2).

De tal modo assim é que muitos utilizadores de email Outlook, Hotmail, Sapo, Netcabo, etc nem têm presente que têm essa conta Gmail, porque não a utilizam (ou pensam que não a utilizam) no seu dia-a-dia. Por isso, um dia recebem, com espanto, uma mensagem dizendo que a sua conta Gmail está cheia, e nem tinham consciência de que a tinham...

Porquê mudar o endereço de Gmail?

Muitos dos utilizadores de Gmail vivem com um pequeno problema: como, na altura da criação do seu endereço, não deram muita atenção a essa definição, a escolha do endereço (o identificador que aparece antes do @gmail.com) não foi devidamente ponderada, e escolheu 'qualquer coisa' só cumprir a necessidade naquele momento de 'inventar' um endereço. Pode ter sido um jovem que achou piada criar um endereço tipo 'paulinho_fixe1990@gmail.com', e agora gostaria de ter uma designação mais séria ou mais profissional. Ou pode ser o caso de quem mudou de nome após o casamento (ou quem se queira livrar do apelido após um divórcio...). Ou alguém que na altura escolheu 'antonio.jose.silva.marques@gmail.com' e, entretanto, já se cansou de ter de andar sempre a escrever um endereço tão extenso...O problema era que, até agora, o endereço criado inicialmente era definitivo! Ao longo destes mais de vinte anos, a Google manteve uma política rígida que impedia a alteração do endereço 'amarrando', de forma permanente, o utilizador ao seu endereço original, e a ter todos os seus serviços do ecossistema Google (Drive, Fotos, YouTube, etc.) ligados a esse endereço.

As únicas soluções disponíveis, até agora, eram:

  • Criar uma nova conta e ignorar a antiga: O que significava perder o histórico de mensagens, contactos, ficheiros no Google Drive e fotografias na nuvem.
  • Criar uma nova conta e configurar o reencaminhamento de mensagens da conta antiga para a nova. Embora resolvesse o problema da receção dos emails na nova conta, isto obrigava a gerir duas contas em simultâneo, uma vez que continuava a receber alguns emails no endereço original e outros já no novo. E os conteúdos das Fotos, do Drive, do Keep, etc, continuariam definitivamente associados à conta antiga e não à nova.

O que foi anunciado agora pela Google

O que agora acabou de ser agora anunciado(3) foi uma das funcionalidades mais aguardadas de sempre pelos utilizadores do Gmail: a possibilidade de alterar o endereço de e-mail principal da Conta Google sem perder absolutamente nada. Após mais de duas décadas de restrições, esta atualização promete simplificar a vida de quem precisa de atualizar a sua identidade digital.

Com esta nova atualização do sistema de gestão de contas, o utilizador pode agora ir às definições da sua conta Google e simplesmente definir um novo endereço principal terminado em @gmail.com.

Por questões de estabilidade e segurança, a Google não elimina a conta antiga. Em vez disso, o endereço anterior passa a ser um endereço secundário (ou alternativo). A transição é feita nos bastidores, associando todos os serviços da Google ao novo endereço, mas mantendo a ponte com o passado para que nada se perca.

Esta funcionalidade tem, contudo, algumas regras e limitações importantes:

  • Limite temporal: Só é permitida uma alteração a cada 12 meses, com um limite máximo de 3 alterações globais por conta.
  • Rastos do passado: Eventos de agenda criados antes da mudança ou certos serviços antigos poderão continuar a mostrar o e-mail anterior, com que foram originalmente criados.
  • Segurança: O processo deve ser feito manualmente na secção de informações pessoais da Conta Google.

Benefícios para os utilizadores

As vantagens para o dia a dia dos utilizadores de Gmail são claras:

  • Evolução da identidade digital: Permite adaptar o e-mail a novas realidades pessoais ou  profissionais sem o pesadelo burocrático e técnico de migrar para uma nova conta.
    • Preservação total de dados: Fotos, documentos do Drive, mensagens, subscrições, etc permanecem intactos na mesma conta.

    • Sem perda de mensagens: Como o e-mail antigo passa a ser um endereço alternativo, todas as mensagens enviadas por pessoas que ainda usam o seu contacto antigo continuarão a cair na sua caixa de entrada atual.
    • Início de sessão flexível: Pode continuar a usar tanto o e-mail novo como o antigo para fazer login na sua Conta Google.

    Em resumo

    Este anúncio marca o fim de um longo período de rigidez na utilização dos endereços de Gmail, e é uma excelente notícia para quem precisava de renovar a 'imagem' da sua caixa de correio sem ter de passar pelos dramas técnicos e burocráticos que vimos acima.


    Notas:

    (1) Esta quota de mercado do serviço de email da Apple tem que ver com a elevada quota de mercado do iPhone em termos mundiais, particularmente nos EUA, o que não acontece em Portugal. Muitas das pessoas que têm iPhone são fãs incondicionais dos produtos Apple e, por isso, utilizam também, preferencialmente, o serviço de email da Apple.

    (2) Na realidade, uma conta Google, isto é, para acesso aos serviços Google, não tem que ser uma conta Gmail. É possível criar uma conta Google usando um endereço de email qualquer outro serviço, por exemplo Sapo, Outlook, etc. Com isso, estaremos a dizer que queremos usar todos os serviços da Google - Fotos, Drive, Mapas, YouTube, Keep, etc - excepto o Gmail, uma vez que já usamos um email de outro serviço diferente. É perfeitamente possível e funcional, só que a maioria das pessoas não sabe isso.

    (3) Esta nova funcionalidade agora anunciada para Portugal (já tinha sido introduzida anteriormente noutros países), será introduzida de forma gradual, podendo demorar algumas semanas a aparecer para todos os utilizadores em Portugal.

    23 junho 2026

    Como manter o computador com Windows 11 a funcionar bem durante mais tempo

    Hoje em dia, os computadores estão cada vez mais caros. A memória, os discos e até os computadores mais simples custam muito mais do que há alguns anos. Por isso, é importante aprender a cuidar bem do computador que já temos, para que funcione corretamente durante muitos anos, sem necessidade de gastar dinheiro na sua substituição.

    Neste artigo, vamos conhecer algumas boas práticas simples, seguras e eficazes, que qualquer utilizador pode aplicar sem que seja necessário ter grandes conhecimentos.

    Num artigo posterior, iremos ver, para os mais curiosos (ou ousados), como se executam essas tarefas usando as ferramentas que o Windows disponibiliza.

    Para quem não se quer 'meter nessas aventuras', podemos sempre recorrer a programas de gestão automatizada, que nos resolvem a maioria dos problemas sem termos que nos aventurar por passos um pouco mais técnicos. Falaremos desses programas noutro artigo.

    Manter o Windows atualizado

    As atualizações do Windows não servem apenas para adicionar novidades. Elas corrigem falhas de segurança e problemas que podem causar erros ou lentidão.

    Boas práticas:

    • Verificar regularmente se existem atualizações.
    • Permitir que o Windows instale as atualizações recomendadas.
    • Reiniciar o computador quando for pedido.

    Manter o sistema atualizado é uma das medidas mais importantes para evitar problemas futuros.

    Manter o computador “limpo” de programas desnecessários

    Com o tempo, vamos instalando programas que depois deixam de ser usados. Esses programas ocupam espaço e podem tornar o computador mais lento.

    É importante:

    • Desinstalar programas que já não utiliza.
    • Evitar instalar programas sem necessidade.
    • Ter cuidado com programas que prometem “limpezas milagrosas”, pois podem causar problemas.

    Um computador com menos programas é, regra geral, mais rápido e mais estável.

    Controlar os programas que arrancam com o Windows

    Alguns programas iniciam automaticamente sempre que ligamos o computador. Muitos deles não são necessários e consomem memória.

    No Windows 11 é possível:

    • Ver a lista de programas que arrancam no início.
    • Desativar os que não são importantes, sem os apagar.

    Ao fazer isto, o computador liga mais depressa e fica mais fluido no uso diário.

    Libertar espaço no disco

    Quando o disco fica quase cheio, o computador começa a funcionar pior. As atualizações podem falhar e os programas ficam mais lentos.

    O Windows 11 tem ferramentas próprias para:

    • Apagar ficheiros temporários.
    • Identificar ficheiros grandes ou programas pouco usados.
    • Libertar espaço de forma segura.

    É aconselhável verificar o espaço disponível pelo menos uma vez por mês.

    Ter cuidados especiais com discos SSD

    Muitos computadores atuais usam discos SSD, que são rápidos mas mais sensíveis a certos abusos.

    Boas práticas:

    • Não encher o disco completamente, o ideal é manter algum espaço livre.
    • Nunca desfragmentar um disco SSD.
    • Deixar o Windows tratar automaticamente da manutenção do disco.

    O próprio Windows 11 faz estas tarefas de forma automática.

    Utilizar corretamente a bateria dos portáteis

    A bateria é um dos componentes que mais se degrada com o tempo.

    Recomendações importantes:

    • Evitar manter o portátil sempre carregado a 100%.
    • Não deixar a bateria descarregar totalmente com frequência.
    • Evitar calor excessivo.

    O Windows permite criar um relatório do estado da bateria, o que ajuda a perceber se ainda está em boas condições.

    Usar os controladores ('drivers') corretos

    Os controladores permitem que o Windows comunique corretamente com o 'hardware', como sejam a placa gráfica, a placa de som ou a impressora.

    Sempre que possível:

    • Usar os controladores fornecidos através do Windows Update.
    • Evitar instalar controladores de sites pouco fiáveis.
    • Atualizar apenas quando necessário.

    Controladores corretos ajudam a evitar bloqueios e sobreaquecimento.

    Confiar na segurança do próprio Windows

    O Windows 11 já inclui um antivírus e uma firewall eficazes, chamados Microsoft Defender.

    Para a maioria dos utilizadores:

    • Não é necessário instalar antivírus pagos.
    • Programas de segurança muito pesados podem tornar o computador mais lento.
    • O Defender oferece boa proteção com baixo impacto no desempenho.

    Na minha opinião, esta solução é suficiente para um uso doméstico normal.

    Fazer cópias de segurança regularmente

    Todos temos receio de perder os nossos ficheiros se ocorrer uma avaria no nosso computador, em particular no disco onde os ficheiros estão gravados.

    Fazer cópias de segurança permite:

    • Recuperar documentos, fotos e emails.
    • Resolver problemas com mais calma.
    • Evitar gastos desnecessários.

    As cópias podem ser feitas num disco externo ou na nuvem, como o Google Drive ou o OneDrive.

    Evitar o sobreaquecimento

    O calor é um grande inimigo dos componentes eletrónicos.

    Boas práticas simples:

    • Manter as grelhas de ventilação limpas.
    • Não usar o portátil em cima de almofadas ou superfícies moles.
    • Ouvir ruídos anormais das ventoinhas.

    Um computador a trabalhar com uma temperatura normal dura mais tempo e funciona melhor.

    Conclusão

    Cuidar do computador não é complicado nem exige conhecimentos técnicos avançados. Com alguns hábitos simples e o uso correto das ferramentas do Windows 11, é possível prolongar a vida útil do equipamento, melhorar o desempenho e evitar despesas desnecessárias.

    Estas práticas deveriam fazer parte da rotina de qualquer utilizador, especialmente num contexto de uso prolongado como acontece com muitos seniores.

    Perguntas comuns sobre a manutenção de um PC

    A manutenção regular prolonga realmente a vida útil de um PC com Windows 11?

    Sim. A manutenção consistente do software e do hardware reduz o desgaste desnecessário  dos componentes, evita a degradação do desempenho e minimiza as falhas que, muitas vezes, levam os utilizadores a substituir o hardware que, de outra forma, estaria a funcionar corretamente.

    O elevado uso de memória pode fazer um PC parecer mais antigo do que realmente é?

    O uso excessivo de RAM por aplicações que se iniciam automaticamente no arranque do PC, por serviços que correm nos bastidores ou por malware pode causar lentidão que faz parecer que se trata de um PC já antigo, mesmo em sistemas relativamente novos.

    Com que frequência devo limpar o armazenamento no Windows 11?

    Deve verificar a utilização do armazenamento pelo menos uma vez por mês. Ficar sem espaço livre pode causar falhas nas atualizações, desempenho mais lento e aumento do desgaste do SSD.

    O Microsoft Defender é suficiente para proteger o Windows 11 a longo prazo?

    Para a maioria dos utilizadores, sim. O Microsoft Defender oferece uma forte proteção em tempo real com menor impacto no sistema do que muitos pacotes antivírus de terceiros, ajudando a preservar o desempenho e a longevidade do hardware.

    É recomendado utilizar ferramentas de limpeza e otimização de sistema de terceiros?

    Este é um tema muito controverso. Na maioria dos casos, podemos dizer que não é necessário. As ferramentas de armazenamento e manutenção integradas do Windows 11 são seguras e normalmente suficientes.

    Embora estas ferramentas de "otimização tudo-em-um" sejam muito práticas de usar, são, na grande maioria dos casos, desnecessárias e até potencialmente prejudiciais para as versões modernas do Windows (11). Começa a existe um consenso crescente entre especialistas de que algumas destas ferramentas de limpeza têm uma abordagem muito 'agressiva', podendo remover inadvertidamente ficheiros de sistema ou entradas do Registo que na realidade podem ser necessários, criando alguma instabilidade no sistema e obrigando a uma reinstalação do Windows. 

    O Windows 11 evoluiu significativamente nos últimos anos, e já possui ferramentas nativas muito eficazes para a manutenção do sistema, sem o risco de corrupção de ficheiros. Apresentar essas ferramentas foi, no fundo, um dos objetivos deste artigo.

    Os hábitos de utilização da bateria afetam realmente a vida útil de um portátil?

    Sim. Carregar a bateria frequentemente até 100%, deixar descarregar completamente e o sobreaquecimento do sistema aceleram a degradação da bateria. Respeitar os limites do carregamento e evitar descargas completas pode prolongar significativamente a vida útil da bateria.

    O Windows 11 trata automaticamente da manutenção do disco SSD?

    Sim, o Windows 11 gere automaticamente os SSD utilizando o TRIM e as tarefas de otimização. No entanto, os utilizadores devem ainda monitorizar o espaço livre, as temperaturas e a integridade do disco para evitar falhas prematuras.

    20 junho 2026

    O que aconteceu ao Menu Iniciar do Windows 11?

    Se ligou o seu computador recentemente e sentiu que algo estava "fora do sítio", não está sozinho. Milhares de utilizadores do Windows 11 estão a acordar para um ambiente de trabalho que não reconhecem. A causa? Uma das maiores reformulações do Menu Iniciar dos últimos tempos.

    A mudança começou a chegar a alguns computadores em outubro de 2025, mas é agora, com as atualizações mais recentes, que o novo design está a chegar em massa a todos os utilizadores.

    Neste artigo, vou tentar explicar o que mudou, como pode personalizar o seu ambiente de trabalho e também por que é que esta mudança está a dividir as opiniões entre os utilizadores.

    As 3 grandes novidades do novo Menu Iniciar

    A Microsoft abandonou a navegação por páginas separadas em favor de um formato único, maior e com deslocamento vertical. 

    O menu agora divide-se em três secções principais:

    Secção "Afixado"

    Agora com mais espaço, esta secção exibe por defeito 2 linhas de aplicações, mas cada linha pode agora conter até oito ícones. Esta área pode ser expandida (Mostrar mais) ou contraída (Mostrar menos) conforme a nossa necessidade, mantendo os nossos programas favoritos sempre à mão.

    Secção "Recomendações"

    Esta era uma das maiores queixas dos utilizadores. A secção de Recomendações mostra os programas e ficheiros usados mais recentemente e, por vezes, sugestões da Microsoft Store (que muitas pessoas consideram publicidade indesejada).

    A boa notícia ´que agora é possível desativar esta secção quase por completo.

    Como fazer: Ir a Definições > Personalização > Iniciar e desligar todas as opções de histórico e apps adicionadas recentemente. O menu irá fazer desaparecer esta área automaticamente.

    Secção "Tudo"



    Agora, a lista "Tudo" está integrada na interface principal. Podemos escolher entre três tipos de visualização:
    • Categoria: Agrupa apps automaticamente em pastas como "Produtividade" ou "Ferramentas de Programação" (semelhante ao que acontece no iPhone ou Android)
    • Grelha: Uma lista alfabética visual
    • Lista: O formato tradicional a que estávamos habituados

    Como personalizar

    À semelhança das versões anteriores, podemos personalizar vários aspetos do menu Iniciar indo a Definições > Personalização > Iniciar. Nesta página há agora 3 secções de definições - Recomendações, Tudo e Outro - permitindo-nos configurar as várias opções de cada secção.

    O que não mudou (e que irrita alguns utilizadores)

    Apesar destas mudanças positivas, a Microsoft tomou algumas opções mais polémicas:

    • Tamanho Fixo: O Menu Iniciar agora adapta-se à resolução do teu ecrã (fica maior em monitores grandes), mas não podemos redimensioná-lo manualmente
    • Formato imposto: Se não gostarmos deste novo formato, não há uma opção para voltar ao design anterior de forma nativa

    Como obter a atualização para esta nova versão do menu Iniciar?

    Se o seu Menu Iniciar ainda é o "antigo" e quer experimentar as novidades, siga estes passos:

    • Ir a Definições > Atualização do Windows
    • Ativar a opção "Obter as atualizações mais recentes assim que estiverem disponíveis"
    • Clicar em Procurar atualizações

    Nota: Depois desta atualização pontual, recomendo que voltem a desativar a opção "Obter as atualizações mais recentes assim que estiverem disponíveis". Caso contrário, irão passar a ser 'incomodados' quase diariamente com pedidos de instalação de pequenas novas atualização, muitas delas sem significado expressivo para a maioria dos utilizadores. Sem esta opção ativada, todas essas pequenas atualizações vão sendo agregadas numa única grande atualização que vos aparecerá apenas de meses a meses.

    Balanço final

    O novo Menu Iniciar é claramente uma tentativa de modernizar o Windows, tornando-o mais parecido com os sistemas operativos dos telemóveis que usamos diariamente.

    O novo Start menu do Windows 11 é maior, moderno e adaptável, facilitando o acesso rápido às apps e ficheiros, com maior controle sobre o que é exibido, mas, em contrapartida, exige algum tempo para se habituar.

    Para quem valoriza esta nova organização automática por categorias, é um salto em frente. Para quem prefere o minimalismo e o controlo total do tamanho da janela, poderá ser uma adaptação difícil.

    Como poupar no pacote Internet+TV numa 2ª habitação

    Alguns de nós temos o privilégio de, para além da nossa casa de residência habitual, termos uma 2ª casa ou apartamento de fim-de-semana ou de férias. E, muito provavelmente, nessa 2ª habitação sentimos necessidade de ter contratado um pacote de Internet+TV para usar quando lá vamos.

    Se são clientes de um dos 3 operadores 'incumbentes' - MEO, NOS ou Vodafone - a soma da fatura mensal pode facilmente andar na casa dos 70-80€.

    Nota: Alguns destes operadores têm, nos seus tarifários, o conceito de 2ª habitação, com desconto face ao preço do pacote normal. Se querem manter tudo como está, pelo menos assegurem-se de que estão a usar essa opção.

    Outra nota: Pelo menos no caso da MEO (não tenho informação sobre os outros), se têm o azar de a vossa  casa contratada estar num local onde não haja outro operador concorrente (por exemplo, numa casa lá no meio do campo), então saibam que a MEO tem um tarifário para os locais onde tem concorrência e outro tarifário distinto (naturalmente mais caro) para os locais onde é o único operador, sem concorrência. Ou seja, para a 2ª habitação terão um desconto sim, mas sobre o tarifário mais elevado, se não houver concorrência local). Era o meu caso, e por isso fui à procura de uma abordagem alternativa...

    O que vos venho propôr é muito simples (e radical): cancelar o contrato do pacote da 2ª habitação!

    E depois, perguntarão vocês? É sobre isso que vamos falar a seguir...

    Como ter Internet?

    Como sabem, quando não temos uma rede Wi-Fi por perto, os nossos telemóveis acedem à Internet através daquilo que se chama 'Dados Móveis'.

    Por tanto, 1º ponto, Internet no telemóvel continuam a ter.

    Na maioria dos telemóveis atuais, existe uma funcionalidade de 'PA (Ponto de Acesso) Móvel'. O que é que isto quer dizer? Que se ativarem essa função, o vosso telemóvel, que já estava a aceder `Internet por dados móveis, vai-se comportar com um 'router' Wi-Fi, e disponibilizar uma rede Wi-Fi para quem esteja por perto. Basta configurar no telemóvel que nome querem dar a essa rede e que password lhe querem atribuir (é sempre recomendável definirem uma 'password'). O que têm que fazer de seguida? Se quiserem ligar o vosso PC à Internet, basta procurar a rede do vosso telemóvel, como o nome que lhe atribuíram, introduzir a password que definiram, e já têm o vosso PC também ligado à Internet. Portanto, já temos o telemóvel e o PC (ou outros dispositivos) ligados à Internet.

    Limitações? Em princípio, temos duas:

    • Limite de dados móveis do nosso tarifário
    • 'Dedicação' do nosso PC a esse função de 'router'
    Vamos ver cada uma dessas limitações e como as ultrapassar.

    Muito provavelmente, o vosso tarifário de dados móveis tem um limite de utilização (2GB? 4GB? 10GB?), muito variável consoante o operador e o contrato que têm, que pode ser insuficiente para as vossas novas necessidades. Portanto, muito provavelmente, vamos ter de aumentar esse valor.

    Outra limitação tem que ver com o facto de o nosso telemóvel ter entretanto ficado 'hipotecado' a essa função de 'router' acima descrita. Na realidade, não é assim: apesar de estar a executar essa função, o telemóvel pode continuar a ser usado normalmente. Só têm um pequeno problema: não se pode afastar dos equipamentos que estão a usar a rede, senão lá se vai a Internet.

    Portanto, o que queríamos era ter um acesso ilimitado a dados móveis e que não estivessem dependentes do telemóvel.

    Solução: comprar um 'router mobile'! É um 'router' em tudo idêntico ao de lá de casa, só que, em vez de se ligar à fibra ótica do vosso operador, liga-se à Internet através de dados móveis, como se fosse um telemóvel. Compramos um cartão de telemóvel (SIM), instalamos esse cartão no router, como fazem num telemóvel, e voilà, já temos internet em toda a casa!

    Quanto custa um 'router mobile' e onde se pode comprar?

    Existem múltiplos modelos, com valores que vão desde os 35-40€, e podem comprar-se em qualquer loja de equipamentos - Worten, FNAC, Radio Popular, Darty, etc - ou, para quem não se atrapalha com isso na Net, por exemplo na Amazon (entregam em casa 1-2 dias depois).

    Aqui à esquerda têm 3 exemplos retirados do site da Amazon (o que eu comprei foi o do meio, e o facto de ser o mais barato não foi alheio a essa escolha 😉).

    Mas os outros 2 são muito interessantes. Há quem tenha não uma 2ª habitação, mas mais (por exemplo, uma casa de família na província) e, naturalmente, só está numa dessas casas de cada vez. Portanto, é muito prático ter um router que se pode transportar no bolso de uma casa para outra, sempre que se pretenda. Ou até, levá-lo para a esplanada ou para a praia e ter Internet onde quiser.

    E quanto ao cartão SIM (com dados móveis ilimitados)?

    Com a entrada no mercado da DIGI (um operador de baixo custo), os 3 operadores 'incumbentes' reagiram rapidamente, criando, cada um deles, a sua empresa concorrente - a UZO (da MEO), a WOO (da NOS, e a Amigo (da Vodafone).

    Estas novas marcas utilizam a mesma infraestrutura de rede (fibra e móvel) das suas operadoras "mãe", pelo que a qualidade da cobertura é, na prática, a mesma. Só que, deste modo, não mexeram nos seus tarifários (a sua 'galinha dos ovos de ouro'), criando antes novas marcas para competirem num segmento de mercado mais sensível ao preço, oferecendo pacotes mais simples, com menos extras.

    Portanto, já estão a ver, comprar um cartão SIM com  a um destes 4 operadores. Com dados móveis ilimitados, 7€/mês, com 100-150GB, provavelmente suficiente, à volta de 6€/mês.

    Mais info em UZO, WOO, Amigo e DIGI.

    Em resumo: 40-50€ num 'router' e 6-7€/mês para dados móveis. Internet já está!

    E a Televisão?

    Devem já ter reparado que os operadores principais disponibilizam aplicações para ver televisão num PC, num telemóvel ou num tablet.

    Se, na vossa casa principal têm serviço da MEO, NOS ou Vodafone, temos, respetivamente: MEO GO (4,99€/mês), NOS TV (grátis), Vodafone TV (grátis).

    Se têm um dos novos operadores de baixo custo UZO, WOO, Amigo ou DIGI, temos, respetivamente, todos grátis: TV UZO, WOO TV, amigo TV (só para telemóvel/tablet) e DIGI TV (só para telemóvel/tablet).

    Com isto, até aqui, já podem ver televisão no telemóvel, num tablet ou (para alguns casos) também no PC. 

    E então no televisor?

    Isso agora vai depender do tipo de televisor que tenham. Se se trata daquilo a que se chama uma Smart TV, com possibilidade de instalar aplicações, basta procurar e instalar a aplicação de TV do vosso novo operador.

    E se for uma televisão comum, sem essa possibilidade? 2 possibilidades: ou aproveitam para trocar por uma 'smart TV' (hoje já se vendem a preços extremamente acessíveis, por 200€ compra-se um excelente televisor), ou então compram uma box Android (idêntica à que o vosso operador instalou na vossa casa, mas esta independente de qualquer fornecedor).


    A que vêem aqui, e que é a que vos recomendo, a da Xiaomi (de 3ª geração), como podem ver quase do tamanho de uma bolacha Maria... A box tem uma ligação ao cabo de alimentação e uma ligação HDMI, para ligação ao televisor. Não tem nada que enganar... A configuração é muito simples, basta ir confirmando os vários passos que a box vai sugerindo.

    No final, aparece-vos no televisor um menu através do qual, como num telemóvel (afinal a caixa é Android, como a maioria dos vossos telemóveis...), pedem para instalar as aplicações pretendidas. Desde logo, a aplicação de TV do vosso operador, e aproveitem para instalar as aplicações de serviços de streaming que possam ter contratados - Netflix, HBO Max, Prime, etc - e, já agora, porque não a RTP Play, o YouTube, o Spotify, ou outros serviços.

    Em resumo

    E pronto, já temos Internet e TV na 2ª casa. Resumos dos custos:

    • Router mobile: ~45€
    • Box Android Xiaomi: ~65€ (ou trocar de televisor)
    • Cartão SIM dados móveis ilimitados: 7€/mês

    E a seguir?

    Agora que temos a 2ª casa despachada, que tal pensarmos em rever o contrato da casa principal?

    Deixo-vos apenas uma pista: eu estava a pagar cerca de 90€/mês pelas 2 casas com 2 cartões móveis. Agora passarei a pagar no total 30€/mês (para o pacote base de Net+TV+Móvel + 1 2º telemóvel + cartão para o router, com a diferença que agora os 3 cartões móveis têm dados ilimitados). Dá que pensar não dá?

    Decidi não esperar pelo fim dos 2 contratos de fidelização e pagar a indemnização indicada na fatura. Vou recuperar esse valor em 2 meses...

    E se não estiver totalmente satisfeito com o nosso operador? Fácil: mudo para outro, agora já não tenho fidelização... 😀

    31 maio 2026

    Como ter o Painel de Notícias da Nova Atena no seu telemóvel

    Já vimos aqui, assim como nas aulas, como terem o Calendário de Atividades da Nova Atena permanentemente na vossa Agenda, acessível tanto no telemóvel como no PC (ver aqui). O grande objetivo é dar-vos formas alternativas, e mais eficazes de acesso à informação da Nova Atena sem terem de estar permanentemente a reler os emails enviados pela Direção.

    Também com esse objetivo, devem ter reparado na existência, desde há umas semanas atrás, de um novo Painel de Notícias no 'hall' de entrada da Nova Atena, onde, para além do horário do dia da semana, se apresentam as notícias mais relevantes sobre as aulas e outras atividades - cinema, exposições, etc.

    Pois bem, vamos ver como podem ter permanentemente esse Painel de Notícias a 'rolar' no vosso telemóvel (ou no vosso PC), vendo exatamente o que, nesse preciso instante, está a ser apresentado no monitor do 'hall' da Nova Atena.

    Por exemplo, antes de saírem de casa, podem ver rapidamente o horário do dia, e se houve alteração nas aulas desse dia e dos seguintes. Simpático, não é?

    Como instalar o Painel de Notícias no telemóvel

    O primeiro passo é ler este 'post' do blogue no vosso telemóvel. Se não têm ainda o blogue registado com um atalho no telemóvel (podemos ver isso mais tarde), chamem o Chrome (ou o 'browser' que costumam usar) e escrevam: informatica-do-dia-a-dia.blogspot.com.

    Agora que já estão a ler este texto no vosso telemóvel, se clicassem no link que indico no final deste artigo, iriam começar logo a ver o Painel de Notícias no vosso telemóvel.

    Mas não façam já isso! Não queremos ter de executar estes passos sempre que quiserem aceder a este painel; vamos ver como podemos automatizar o processo de forma a ter sempre um ícone à mão para chamar as notícias. 

    Depois de clicarem no link abaixo e as notícias já estarem a rolar no vosso telemóvel, vamos ter de criar um ícone no vosso ecrã principal. Para isso, vão carregar nos 3 pontos do canto superior direito do Chrome e, no fundo do menu, selecionar a opção Adicionar ao ecrã principal e, de seguida, dar um nome a esse novo ícone:

     

    Depois disto, terão um novo ícone, com o nome escolhido, no ecrã do vosso telemóvel.

    A partir de agora, sempre que quiserem ver as Notícias da Nova Atena, basta clicarem nesse ícone e voilà!

    Agora que já sabem o que vão ter de fazer (relembrem as 2 fotos acima), já podem clicar no link abaixo e depois executar os passos indicados.

    16 maio 2026

    França diz adeus ao Windows: O que significa a mudança para Linux em termos de Soberania Digital?

    No mundo dos computadores pessoais, estamos habituados a que aquilo a que chamamos sistema operativo seja, por regra, o Windows, atualmente na sua versão mais recente: o Windows 11.

    Tal como nos telemóveis, em que existem 2 grandes mundos - os iPhone da Apple, que usam o sistema operativo iOS, e os telemóveis de todos os outros fabricantes, que usam Android, também no caso dos PC temos os Mac da Apple, com macOS, e os PC de todos os outros fabricantes, que usam Windows (1). Só que, neste caso, os Mac da Apple representam um nicho bastante reduzido, em segmentos de mercado muito específicos, e os PC com Windows são totalmente dominantes, seja em casa, seja nas empresas ou na administração pública.

    Se esta universalidade representa uma enorme vantagem em termos de compatibilidade e aprendizagem (uma vez termos aprendido a usar um computador com Windows, estarmos capacitados para usar qualquer outro, seja o da empresa ou o de um amigo que nos pediu uma ajuda), por outro lado representa uma enormíssima dependência tecnológica de um único país, os EUA, e de uma única empresa, a Microsoft.

    Imaginem só o que aconteceria se, por absurdo, os EUA decidissem deixar de exportar essas tecnologias para os outros países (e, por muito inverossímil e absurdo que possa parecer, nos tempos que correm já nada é surpresa...). Pura e simplesmente o mundo pararia!

    Esta problemática é aquilo a que, do ponto de vista dos países, se designa por Soberania Digital: a necessidade de os países tentarem combater o mais possível estas dependências tecnológicas.

    Em busca da Soberania Digital

    Foi esta razão que levou, recentemente, o governo francês a tomar uma decisão estratégica de abandonar o sistema operativo Windows, da Microsoft, em favor do Linux e de soluções de código aberto ('Open Source') (2).

    Mas esta decisão da França não é única, é apenas o exemplo mais recente. Outros países ou regiões administrativas tomaram recentemente decisões no mesmo sentido, numa tendência global em direção à soberania digital:

    • Alemanha (Schleswig-Holstein): Este estado alemão está a migrar 30.000 computadores para Linux e LibreOffice, prevendo poupanças anuais de 15 milhões de euros em licenciamento.
    • Dinamarca: Em 2025, o Ministério dos Assuntos Digitais dinamarquês iniciou a sua própria transição para o código aberto, citando a proteção da soberania dos dados.
    • China: Com os sistemas Kylin OS e Deepin, a China está a remover hardware e software estrangeiro de todas as instituições governamentais para garantir controlo total sobre o código-fonte.
    • Brasil: Organismos como o IBGE voltaram a colocar o software livre no centro da sua estratégia para proteger dados sensíveis.

    O caso francês

    O governo francês, através da Direção Interministerial para os Assuntos Digitais (DINUM), deixou claro que não quer que infraestruturas críticas do Estado estejam dependentes dos interesses comerciais das grandes empresas tecnológicas norte-americanas. Segundo David Amiel, Ministro da Ação Pública, o país não pode aceitar que os seus dados, infraestruturas e decisões estratégicas dependam de soluções cujas regras e preços são controlados externamente.

    Os principais motivos desta mudança são:

    • Controlo do Destino Digital: Evitar que as regras, os preços e a evolução das ferramentas de trabalho sejam ditadas por interesses comerciais estrangeiros.
    • Segurança de Dados: Ao utilizar programas cujas "regras do jogo" são controladas internamente, a França protege-se contra vulnerabilidades ou mudanças de política de privacidade impostas por empresas fora da União Europeia.
    • Influência Regional: Como líder na UE, a França quer dar o exemplo, mostrando que é possível ter uma infraestrutura tecnológica moderna e funcional sem estar "presa" a um único fornecedor (o chamado 'vendor lock-in').

    Benefícios

    Embora a redução de custos com licenças de software seja um ponto fundamental, os benefícios vão muito mais longe:
    • Personalização: O Linux permite criar uma versão adaptada especificamente às necessidades dos funcionários públicos franceses.
    • Ecossistema "La Suite": A França já está a implementar ferramentas próprias como o Tchap (comunicação), Visio (videoconferência) e FranceTransfert, garantindo que o trabalho colaborativo acontece em solo nacional.
    • Transparência: O software de código aberto (Open Source) pode ser auditado por qualquer pessoa, o que aumenta a confiança na segurança do sistema.
    Além da óbvia poupança financeira em licenças, os benefícios incluem uma maior segurança (devido à natureza auditável do código aberto), a capacidade de personalização total do sistema e a garantia de que os dados dos cidadãos permanecem sob jurisdição nacional e europeia.

    O Desafio da Implementação

    Mudar o sistema operativo usado por um país inteiro não se faz da noite para o dia. Os desafios são colossais:
    • Curva de Aprendizagem: Milhares de funcionários habituados ao Windows terão de aprender a trabalhar num novo ambiente. A resistência à mudança vai ser o primeiro grande obstáculo.
    • Compatibilidade de Software: Muitos programas específicos utilizados na administração pública podem ter sido desenhados apenas para Windows, exigindo versões novas ou alternativas equivalentes.
    • Logística e Suporte: Planear a transição de hardware, antivírus, bases de dados e redes exige um esforço de coordenação entre vários organismos, como agências de ciber-segurança e centrais de compras do Estado.

    O que isto significa para todos nós?

    A decisão da França e dos outros países acima referidos é um lembrete de que o software que usamos no dia a dia tem implicações políticas e económicas. Se a migração for bem-sucedida, poderá inspirar outros países (quem sabe Portugal?) e até empresas privadas a olhar para o Linux não como um bicho-papão, mas como uma alternativa viável, segura e, acima de tudo, livre.

    Estas decisões sinalizam uma mudança de paradigma: o software livre deixou de ser uma alternativa apenas para entusiastas, passando a ser uma necessidade de segurança nacional.

    Notas:

    (1) Na realidade, se quisermos ser totalmente rigorosos, existem outras alternativas, como os chamados Chromebook, com sistema operativo ChromeOS da Google, mas são quase desconhecidas do público em geral.

    (2) As soluções de Código Aberto ('open source') são programas cujo código-fonte original é disponibilizado publicamente, permitindo que qualquer pessoa o visualize, modifique, melhore e o distribua livremente de acordo com as suas necessidades. Ao contrário do software proprietário, que é controlado exclusivamente pela empresa que o desenvolveu, o modelo 'open source' baseia-se num princípio de colaboração comunitária e de transparência, onde programadores de todo o mundo trabalham em conjunto para corrigir falhas, adicionar funcionalidades e partilhar conhecimento, resultando frequentemente em ferramentas altamente robustas, seguras, flexíveis e com custos de licenciamento drasticamente reduzidos ou mesmo inexistentes.

    15 maio 2026

    Otimização do Windows: Microsoft PC Manager vs. Ferramentas de Terceiros

    Todos nos habituámos já à ideia de que, à medida que vamos usando um PC ao longo dos anos, ele vai ficando cada vez mais lento, e manter o Windows a correr com a mesma fluidez do primeiro dia é um desafio constante. À medida que instalamos programas, navegamos na internet e acumulamos ficheiros temporários, o sistema tende a perder performance.

    Como o nosso conhecimento do funcionamento interno do Windows e das razões técnicas para esse problema é muito limitado, a melhor solução é recorrer a um programa especializado que saiba o que deve fazer para resolver ou, pelo menos, minorar esses problemas.

    Há múltiplos programas para essa finalidade, uns grátis, outros pagos, mas a maioria numa situação mista que já é nossa conhecida: as funções mais básicas são grátis, e as funções mais sofisticadas e potentes só estão disponíveis nas versões pagas. E, como o negócio dessas empresas passa por promover e tentar vender essas versões pagas, enquanto usamos as versões grátis, vamos sendo alvo de mensagens de promoção das versões pagas.

    Com base nesse binómio riqueza de funcionalidade vs. agressividade comercial, sugeri nas aulas 2 dessas soluções: Glary Utilities (www.glarysoft.com) e Ashampoo WinOptimizer (ashampoo.com/pt-pt/winoptimizer-free). No entanto, o cenário mudou recentemente com a própria Microsoft a entrar no jogo com o Microsoft PC Manager.

    Mas será que esta ferramenta oficial da Microsoft é suficiente? Ou será que as 'suites' tradicionais como as acima referidas ainda valem a pena?

    Neste artigo, vamos analisar e comparar estas três soluções, destacando os pontos fortes e fracos de cada uma.

    Iremos também mostrar, passo a passo, como configurar essas ferramentas para que não fiquem a consumir recursos em segundo plano (background) depois de instaladas.

    3 abordagens distintas à otimização do Windows

    Antes de olharmos para os detalhes, é importante perceber que estas ferramentas têm filosofias de funcionamento muito diferentes:

    • Microsoft PC Manager: A aposta oficial da Microsoft baseada num princípio de minimalismo e na segurança integrados
    • Glary Utilities: Um "canivete suíço" que representa um compromisso entre ferramentas avançadas e facilidade de utilização
    • Ashampoo WinOptimizer: Uma ferramenta 'premium' focada na automatização profunda e na personalização da privacidade

    Análise detalhada: pontos fortes e limitações

    Microsoft PC Manager

    Desenvolvido pela própria Microsoft, funciona como um painel de controlo centralizado para funcionalidades que, na verdade, já existem no Windows, mas estão espalhadas pelos menus do sistema.

    • Pontos fortes: Sendo nativo ao próprio Windows, apresenta uma grande estabilidade — nunca vai corromper o registo ou apagar ficheiros vitais. É extremamente leve, totalmente gratuito e não tem publicidade.
    • Limitações: É demasiado simples para utilizadores avançados. Não faz desinstalações profundas de programas nem limpezas no registo.
    Podem encontrar uma descrição e um comentário detalhados (em inglês) do programa aqui.

    Glary Utilities

    É uma das ferramentas de manutenção mais antigas e respeitadas do mercado, famosa pela sua eficácia.

    • Pontos fortes: Inclui mais de 20 utilitários integrados (recuperação de ficheiros apagados, localizador de duplicados, desinstalador avançado). A sua limpeza de disco é muito eficaz.
    • Limitações: A interface visual parece já um pouco datada. Algumas funções automáticas requerem a versão Pro (paga).

    Ashampoo WinOptimizer

    É uma suite robusta com uma interface moderna, repleta de gráficos explicativos e ferramentas de monitorização em tempo real.

    • Pontos fortes: Excelente gestão de privacidade (permite desativar a telemetria do Windows facilmente) e possui módulos de automatização que otimizam o PC enquanto joga ou trabalha.
    • Limitações: É a suite mais pesada das três. A versão gratuita exibe avisos frequentes a sugerir a compra da versão completa.

    Conclusão: Qual escolher?

    • Escolha o Microsoft PC Manager se procura simplicidade, segurança total e quer apenas libertar memória RAM e ficheiros temporários sem correr riscos.
    • Escolha o Glary Utilities se precisa de ferramentas extra de diagnóstico (como encontrar ficheiros duplicados ou recuperar dados apagados) sem sobrecarregar o sistema.
    • Escolha o Ashampoo WinOptimizer se quer um controlo cirúrgico sobre a privacidade e telemetria do Windows e não se importa de gerir uma suite mais complexa.

    Os processos em segundo plano (background)

    Muitas ferramentas de otimização prometem acelerar o computador, mas acabam por contribuir para a carga ao instalarem processos persistentes que ficam a consumir CPU e memória RAM em permanência. Por isso, a melhor abordagem com este tipo de programas é usá-los de uma forma pontual: o programa abre, faz a manutenção e fecha completamente.

    Para garantir que nenhuma destas ferramentas fica a correr depois de ser executada, siga estes passos de configuração:

    Microsoft PC Manager

    1. Abra o programa e clique no ícone das Definições (roda dentada no canto superior direito).
    2. Nas Definições, desative a opção "Start PC Manager automatically when sign in to Windows" (para impedir que arranque sozinho com o PC).
    3. Desative também a opção "Smart Boost" (isto evita que o programa fique em background a monitorizar constantemente a RAM).

    Glary Utilities

    1. Abra o Glary Utilities e clique em Menu (canto superior direito) > Settings (Definições).
    2. Na aba General, desmarque:
      "Launch Glary Utilities on Windows startup"
      "Minimize to system tray when program is closed"

      (Isto garante que, ao clicar no "X", o programa fecha mesmo em vez de ir para junto do relógio).
    3. Na aba Advanced, desative a procura automática de atualizações em segundo plano.

    Ashampoo WinOptimizer

    1. Abra o programa e aceda às Opções/Definições.
    2. Na secção de inicialização, desative o arranque automático com o Windows.
    3. O passo mais importante: Procure pela secção de Módulos Automáticos (Auto-Clean, Live-Tuner, Game-Booster) e desative todos. Se estes módulos estiverem ativos, o Ashampoo manterá serviços em segundo plano mesmo que feche a janela principal.

    Gestor de tarefas do Windows

    Independentemente da ferramenta que escolher, pode também usar o próprio Windows para garantir um maior controlo.

    Pressione as teclas Ctrl + Shift + Esc para abrir o Gestor de Tarefas, clique no menu lateral Aplicações de Arranque, localize na lista a ferramenta de otimização instalada, clique com o botão direito e selecione Desativar.

    Desta forma, o programa só consumirá recursos nos minutos em que decidir abri-lo para fazer a limpeza.

    Onde obter e como instalar o Microsoft PC Manager

    Sendo uma ferramenta oficial da Microsoft, o processo de obtenção do PC Manager é extremamente seguro, rápido e gratuito. Ao contrário de outros utilitários do género, não há o risco de descarregar vírus ou publicidade enganosa, desde que se utilizem as fontes oficiais. O método recomendado, mais simples e mais rápido, é através da Microsoft Store.

    Nota: Esta aplicação ainda não está oficialmente disponível para Portugal. Não por um problema técnico, mas sim por uma decisão de negócio e de restrições regulatórias. A Microsoft está a implementar esta nova solução de forma gradual, testando-a em regiões selecionadas e garantindo que ela cumpre as leis locais, especialmente em mercados mais rigorosos como a UE.

    Se quiserem instalar este programa, terão de usar um pequeno truque: configurar temporariamente o vosso PC dizendo que está, por exemplo, no Brasil, instalar o programa, e depois voltar a configurar o país como Portugal.

    Para isso, terão de ir às Definições do Windows, selecionar no menu da barra lateral Hora e Idioma, depois Idioma e Região e, em Região, selecionar o País ou Região como Brasil.

    Depois disso, fazer a instalação do PC Manager, seguindo os seguintes passos:

    1. Clique no menu Iniciar do Windows e procure por Microsoft Store (ou clique no ícone da loja na sua barra de tarefas).
    2. Na barra de pesquisa localizada no topo da loja, digite "Microsoft PC Manager" e carregue em Enter.
    3. Certifique-se de que a empresa responsável pelo programa é a Microsoft Corporation.
    4. Clique no botão "Obter" (ou "Instalar").
    5. O Windows fará o download e a instalação de forma 100% automática. Assim que terminar, basta clicar em "Abrir".
    No final da instalação, não esquecer de voltar a definir o País ou Região como Portugal, seguindo os mesmos passos descritos acima.

    Um outro método alternativo, que não vamos descrever aqui, passaria pela instalação manual através do site oficial da Microsoft.

    Em resumo

    Não tendo a maioria dos utilizadores conhecimentos suficientes para poder intervir nos aspetos críticos do funcionamento do Windows, é absolutamente recomendada a utilização de um destes programas de optimização automática, que deve ser executado com alguma regularidade, por exemplo mensalmente (ou sempre que se lembrarem...).