28 julho 2026

FUTO - Um teclado alternativo para telemóveis Android para quem se preocupa com a privacidade

Sempre que escreve algo no seu telemóvel está a utilizar um teclado desenhado no ecrã. Esse teclado é na realidade uma pequena aplicação, que, no caso sos telemóveis Android, é tipicamente o Gboard (da Google) ou o Swiftkey (da Microsoft).

Acontece que essas aplicações de teclado partilham tudo o que escrevemos com as empresas suas criadoras, a Google ou a Microsoft. E já pensou na quantidade de informação que passa todos os dias pelo teclado do seu smartphone? Entre passwords, dados pessoais, mensagens e pesquisas, tudo o que escrevemos passa por essas aplicações.

Por essa razão, há quem procure alternativas que ofereçam um maior controlo sobre a maneira como os dados são processados. O FUTO Keyboard é uma alternativa que inclui as funcionalidades que normalmente encontramos nos teclados mais populares, mas com uma abordagem mais focada na privacidade, sem depender de uma ligação à Internet para funcionar.


De acordo com os seus criadores, tudo o que escreve, dita ou corrige no teclado é processado no smartphone, sem necessidade de enviar dados para servidores externos.

O FUTO Keyboard inclui as várias das funcionalidades que é possível encontrar nos teclados mais populares, tais como o corretor automático, sugestões de texto e escrita por gestos, a introdução de texto por voz e opções de personalização.


A aplicação foi desenvolvida pela FUTO, uma organização norte-americana fundada para promover o desenvolvimento de software 'open source' e de tecnologias que deem aos utilizadores um maior controlo sobre os seus equipamentos e dados.

O FUTO Keyboard pode ser descarregado a partir da Play Store.

17 julho 2026

W Social: A nova rede social europeia

Há umas semanas atrás, falei aqui sobre a iniciativa Office-EU, que pretende ser uma alterativa de base europeia ao domínio das grandes multinacionais do setor, com a Microsoft à cabega (pode ver o artigo aqui).

Hoje, quero apresentar uma outra iniciativa europeia, esta de caráter comercial, mas com os mesmos objetivos de soberania digital, desta vez na área das redes sociais: a W Social.


Desde logo repararão que não será totalmente inocente a designação W, como contraponto à rede X do Elon Musk...😉

Esta rede foi lançada há poucas semanas e, embora ainda numa fase inicial, designada por Beta (imediatamente antes de entrar em produção plena), encontra-se já totalmente operacional.

Vamos então tentar descrever o W Social, usando a informação disponibilizada pelos seus próprios promotores.

O que é o W Social?

W é um espaço digital inovador e seguro para as últimas notícias, troca de opiniões e conteúdos divertidos e inspiradores. Uma plataforma de redes sociais criada na Europa para o mundo. Só permitimos pessoas. Acreditamos que a confiança deve ser conquistada e, desde o início, concebemos a nossa plataforma tendo em mente a privacidade e a proteção de dados. Privilegiamos a autenticidade, a segurança e a liberdade de expressão, em conformidade com os regulamentos da UE.

Como é que o W se diferencia de outras redes sociais?

  • Apenas pessoas reais podem partilhar conteúdos – todas as contas são verificadas
  • Privacidade – a sua identidade pode permanecer privada, se assim o desejar
  • Descentralização – os seus conteúdos podem interagir com outras redes através do protocolo aberto AT

Quem está por detrás da W?

A W Social AB é uma sociedade por quotas constituída na Suécia. Foi criada por uma equipa pan-europeia de empreendedores e investidores experientes dos setores dos media, tecnologia e inteligência artificial. O seu Conselho Consultivo reúne líderes globais, decisores políticos, especialistas e empresários de diversos países e espectros políticos.

Como é que o W foi construído?

O W foi construído com base num protocolo aberto (AT), um padrão global para redes sociais interoperáveis. O nome do protocolo é um detalhe técnico menos relevante. O que é importante é que esta abordagem irá permitir que todas as publicações e conteúdos desta rede funcionem em diversas aplicações, em vez de estarem restritos a uma única plataforma, como acontece com quase todas as redes sociais atuais.

Nota: Não sei se algum de vocês já ouviu falar da rede social BlueSky. Tem a particularidade de também ter sido construída com base no mesmo protocolo aberto AT, tal como o W. Isso significa que estas 2 redes apresentam uma total interoperabilidade entre si, podendo as comunicações e conteúdos ser partilhados entre as duas redes.

Enquadramento empresarial e legal da W

A W é uma empresa privada com fins lucrativos, constituída em Estocolmo. Atualmente, não existe publicidade na plataforma. Os dados são utilizados apenas para operar a plataforma, garantir a segurança e prevenir fraudes. A publicidade futura será introduzida em total conformidade com o RGPD, a DSA e outros regulamentos da UE — o que significa que não haverá criação de perfis indesejados com base nos seus dados pessoais.

A W é uma empresa financiada com recursos próprios e apoiada por investidores privados. Não recebe qualquer financiamento ou investimento da União Europeia ou de qualquer outra instituição europeia, nem paga a qualquer instituição europeia por apoio ou endosso.

Quem se pode registar no W Social?

Qualquer pessoa com 18 anos ou mais se pode registar. É necessário verificar a identidade da pessoa para poder começar a publicar e a comentar.

Passos seguintes

Podem saber mais sobre a W Social aqui.

Se entrarem no site, repararão, logo no canto superior direito, um botão para se registarem. Fica, naturalmente, à vossa consideração, mas, pessoalmente, sugiro que o façam. É uma forma de apoiarmos estas várias iniciativas que visam uma maior soberania digital da Europa.

Nota: Nesta fase Beta, a subscrição não é imediata. Todos os pedidos ficam em fila de espera, e irão sendo ativados à medida que a infraestrutura de suporte do W for crescendo e se for consolidando.

Posso adiantar-vos que eu sou um dos primeiros subscritores desta rede social. A limitação que tenho, neste momento, é que ainda (quase) não há subscritores em Portugal e, portanto, não tenho muitas pessoas a quem seguir ou com quem falar a não ser um grupo de ilustres dirigentes e parlamentares europeus. O que já não é mau. A propósito, o jornal 'O Público' já está no W.

Para além de poderem aceder na Web, podem igualmente fazer o download da app para telemóvel na Play Store da Google ou na Apple Store. Basta procurarem por 'wsocial' e descarregar.

Espero por vocês no W!

06 julho 2026

Windows 10: Programa ESU (Extended Security Updates) prolongado por mais um ano

Já tinha decidido trocar de computador por causa do Windows 10? Embora continue a ser importante, já não é assim tão urgente! A Microsoft acabou discretamente de prolongar o programa ESU de suporte gratuito de segurança por mais 1 ano, até outubro de 2027.

O que é o programa ESU

No início de Outubro passado, escrevi aqui sobre o fim do suporte da Microsoft ao Windows 10, na altura agendado para 14/Out/2025, e a importância de se registarem no programa ESU (Extended Security Updates), que permitia continuarem a receber, de forma grátis, atualizações durante mais um ano, estendendo assim o tempo de vida útil do vosso PC.

Alerta importante: Se tem um PC com Windows 10 e ainda não se registou nesse programa, não espere mais; faça-o já! (ver mais abaixo como)

A  boas notícias que acabaram de ser anunciadas pela Microsoft é que, se ainda faz parte do vasto grupo de utilizadores que ainda não atualizou o seu PC para o Windows 11, pode respirar fundo: esse programa foi prolongado até 2027!

Numa anúncio inesperado e discreto, a Microsoft atualizou a sua página oficial de suporte e confirmou que o programa ESU do Windows 10 foi prolongado por mais um ano. Inicialmente previsto para terminar em outubro de 2026, o suporte alargado vai agora continuar até ao dia 12 de outubro de 2027.

Porquê este "balão de oxigénio"?

Esta decisão da Microsoft surge num momento crucial. Atualmente, o mercado tecnológico enfrenta uma crise na produção de memórias RAM, fazendo disparar os preços desses componentes indispensáveis, o que, por sua vez, fez inflacionar o preço dos computadores, tornando a compra de um PC novo, já com Windows 11, um investimento mais difícil de justificar para muitas famílias (e empresas) — especialmente nos casos em que o computador atual com Windows 10 ainda funciona perfeitamente.

Com centenas de milhões de computadores em todo o mundo ainda a usar o Windows 10, o fim abrupto do suporte iria deixar um número enorme de computadores nessa situação vulnerável a ciberataques, a vírus e a explorações de falhas no sistema.

O que é preciso fazer?

  • Se já tinha aderido anteriormente ao programa ESU: Não precisa de fazer absolutamente nada. A extensão de suporte é automática e o seu computador continuará a receber atualizações de segurança até à nova data limite em 2027.
  • Como aderir gratuitamente, se ainda não o tinha feito: Para os utilizadores domésticos, o acesso a estas atualizações de segurança estendidas pode ser obtido de forma totalmente gratuita (na Europa), visitando nas Definições do Windows a página sobre Atualizações do Windows ('Windows Update'). Aí aparece a opção de aderir ao programa ESU.

O futuro do Windows 11 fica agora (ainda mais) complicado

Embora esta seja uma excelente notícia para a segurança dos utilizadores, ela vem criar uma dor de cabeça para a Microsoft: ao ter de manter o Windows 10 "vivo" e seguro por mais tempo, e sendo os seus recursos limitados, isso significa que terá que reduzir o esforço que estava a colocar no desenvolvimento de novas funcionalidades para o Windows 11, comprometendo, desse modo, a transição para a versão mais recente desse sistema operativo.

Em contrapartida, para os atuais utilizadores do Windows 10, esta extensão traduz-se em mais tempo para fazer essa transição, uma maior poupança e, acima de tudo, na garantia de que a sua privacidade e segurança digital continuam protegidas na internet por mais dois anos.

Telemóveis Android: Do Assistente Google ao Gemini

O que é o Assistente Google

Não sei se já alguma vez usaram no vosso telemóvel Android a funcionalidade designada Assistente Google. Como funciona? Basta carregar por uns segundos no símbolo desenhado no fundo do ecrã, sob a forma de um pequeno círculo. Quando o fazemos, é automaticamente chamado o Assistente Google, que fica à espera dos nossos comandos por voz.

Para dar um exemplo, o que fazemos quando queremos ligar para uma pessoa? Normalmente chamamos a aplicação Contactos e depois ou deslizamos a lista de contactos para cima e para baixo até encontrarmos o contacto pretendido, ou então escrevemos parte do nome da pessoa na barra de pesquisa e aparecem os contactos com os nomes que incluem esses caracteres. De uma forma ou de outra, é algo trabalhoso...

Com o Assistente Google, basta fazer o seguinte:

  • Carregar por uns segundos no tal círculo ao fundo do ecrã
  • Quando aparecer o Assistente Google, dizemos "Ligar para fulano"
  • Automaticamente, a chamada é iniciada, sem termos de andar à procura do contacto da pessoa
Ou podem dizer algo do tipo "ligar para um contacto de nome Xavier que vive em Barcelos". E ele vai à procura. Se houver vários contactos nessas condições ele apresentará a lista e perguntar-vos-á a qual deles querem ligar.

Também podemos perguntar como vai ser a meteorologia hoje, como está o valor das ações da empresa x, ou qualquer outra coisa. Ou seja, aquilo que hoje diríamos ser um agente de Inteligência Artificial (IA). Só que esta funcionalidade tem estado disponível há vários anos, antes mesmo de terem começado a ouvir falar em IA e no ChatGPT... Só que, provavelmente, não sabiam disso.

Normalmente, em vez de carregar no círculo, basta apenas dizer "Hey Google", ele ouve, chama o assistente, e podemos começar a falar com ele.

Nota: Pode acontecer que o vosso telemóvel Android não tenha, por qualquer razão, essa aplicação instalada. Se fôr esse o caso basta descarregá-la a partir da Play Store aqui.

Nota: Para quem tem um iPhone, existe uma funcionalidade equivalente, que dá pelo nome de Siri. E a frase para a 'acordar' é precisamente "Hey Siri"...

E agora, o Gemini

Estas funcionalidades do Assistente Google vão começar a dar, progressivamente, lugar ao Gemini, que devem estar recordados é a funcionalidade de IA generativa da Google, concorrente com o Copilot da Microsoft e o ChatGPT da OpenAI.

Esta substituição do Assistente Google pelo Gemini promete disponibilizar ferramentas muito mais avançadas para as nossas tarefas do dia-a-dia. Mas, por outro lado, também exige alguns cuidados adicionais com a nossa privacidade.

Vamos ver o que está em causa e como podemos tirar o melhor partido desta novidade.

O que é o Gemini e como nos pode ajudar

O Gemini não é apenas um substituto do anterior Assistente Google para dar comandos de voz simples; ele funciona como um verdadeiro assistente pessoal capaz de lidar com tarefas bastante mais complexas.

Entre as principais funcionalidades, destacam-se:

  • Gemini Live: Permite dialogar de forma natural, sem interrupções rígidas, podendo ser usado, por exemplo, para fazer 'brainstorming' de ideias ou para ajudar a estruturar um pensamento em voz alta.
  • Ajuda na produtividade: Auxilia na redação de textos, na criação de conteúdos e na aprendizagem de novos temas.
  • Integração com o ecrã: O Gemini consegue ler o contexto do que está a ser visualizado no ecrã do telemóvel, interpretar links e ajudar-nos a agir sobre essa informação de imediato.

Integração do Gemini com o telemóvel e com serviços na nuvem

Para poder ser verdadeiramente útil e contextualizado, o Gemini cruza os dados locais com serviços na nuvem:

  • Acesso ao dispositivo: Com as devidas permissões, o Gemini pode aceder à nossa lista de contactos, ao registo de chamadas e às mensagens para nos ajudar a fazer chamadas ou enviar mensagens rapidamente.
  • Ecossistema Google: O Gemini consegue obter dados em tempo real, por exemplo do Google Maps. Além disso, pode ligar-se diretamente ao Google Workspace (Documentos, Gmail, etc) e também a serviços como o YouTube, proporcionando uma experiência totalmente integrada.

Ativação por Voz

Como vimos acima, podemos invocar o Gemini sem usar as mãos, apenas dizendo "Hey Google". Contudo, devemos ter em conta dois aspetos práticos:

  • Ativações acidentais: O assistente pode ativar-se inadvertidamente por ruídos semelhantes à palavra de ativação ou por toques acidentais no ecrã. Quando isso acontece, ele responderá a esse ruído como se se tratasse de uma ativação normal.

    Nota: Penso que já assistiram, ocasionalmente, a essa situação nas minhas aulas. Estou a apresentar um determinado assunto na aula e, de repente, o meu telemóvel, que estava desligado, 'mete-se na conversa' e começa a discorrer sobre o assunto que eu estava a explicar...
  • Ecrã bloqueado: O Gemini pode responder a dúvidas e executar ações mesmo com o telefone bloqueado. No entanto, para segurança dos seus dados, ele exigirá sempre o desbloqueio do aparelho se a resposta envolver informações estritamente pessoais (como ler eventos do seu calendário pessoal ou aceder a dados privados).

Cautelas sobre privacidade

Este é um ponto que requer alguma atenção da nossa parte. Por predefinição, a menos que a opção "Atividade das Apps Gemini" tiver sido desativada, a Google guarda um histórico vasto das interações que temos com as suas múltiplas ferramentas.

Isso inclui as conversas de texto, os ficheiros ou fotos que partilhamos, as capturas de ecrã sobre as quais fizemos perguntas, ficheiros de áudio e transcrições das nossas conversas por voz, informação sobre as nossas localizações ao longo do tempo, e mesmo as páginas web que visitamos.

Acontece que toda essa informação é usada para treinar e melhorar os modelos de IA da Google. Embora todas essas informações sejam previamente desassociadas da nossa conta antes deste processo para proteger a nossa identidade, devemos ter o cuidado de nunca partilhar com o Gemini informações confidenciais, dados bancários, documentos de circulação restrita ou passwords.

Se preferirmos, podemos desativar a opção "Guardar Atividade" (Keep Activity) a qualquer momento nas definições da nossa conta Google aqui.

Cuidados a ter com as respostas produzidas pela IA

Como qualquer modelo de linguagem de IA, o Gemini está em constante evolução, o que comporta algumas limitações importantes a que devemos estar atentos:

  • Informações Incorretas: O sistema pode gerar dados errados ou imprecisões (as chamadas "alucinações"), inclusive sobre pessoas reais.
  • Não substitui aconselhamento profissional: O conteúdo gerado deve ser considerado como meramente informativo. Não devemos, em caso algum, basear-nos nas respostas do Gemini para diagnósticos médicos, tratamentos, aconselhamento jurídico, financeiro ou decisões profissionais críticas.

  • Supervisão ativa: Ao pedir ao Gemini para navegar na internet ou resumir páginas, acompanhe o processo de perto e interrompa a ação se notar que a IA se está a desviar do assunto correto.

A tecnologia está aqui para nos servir e facilitar o nosso dia-a-dia, mas cabe-nos a nós utilizá-la de forma consciente, crítica e segura.

Boas experiências com o vosso novo assistente!