30 novembro 2025

Como apagar fotos do telemóvel depois de já estarem no Google Fotos

Já vimos como assegurar que todas as fotografias tiradas com o telemóvel sejam automaticamente copiadas para o Google Fotos, garantindo assim uma cópia de segurança de todas fotos.

Enquanto tiver espaço de armazenamento disponível no telemóvel, é muito cómodo saber que todas as fotografias ficam lá guardadas, com um duplicado no Google Fotos.

No entanto, chegará um momento em que o armazenamento do telemóvel começará a ficar cheio e quererá apagar as fotografias armazenadas no telemóvel, para libertar espaço para novas fotografias.

Nesse caso, deve ter cuidado com o procedimento a executar.

Como apagar todas as fotografias do telemóvel (mantendo a cópia no Google Fotos)

IMPORTANTE: Se estiver a usar o Google Fotos, com cópia de segurança ativada, não deve apagar as fotografias diretamente na Galeria! Se apagar fotografias na Galeria, quase seguramente (dependendo das configurações) essas fotografias serão também automaticamente apagadas do Google Fotos.

Para apagar todas as fotos do telemóvel de forma segura, sem as apagar do Google Fotos, deve executar os seguintes passos:

1. Confirmar que as fotos estão sincronizadas

Na aplicação Google Fotos, abra o seu perfil (a bola no canto superior direito com a sua foto ou as suas iniciais), escolha Cópia de segurança e verifique se o backup está concluído.

Se o backup não estiver completo, deve aguardar até que todas as fotos tenham sido enviadas para a nuvem. 

Esta verificação evita perdas irreversíveis e deve ser feita antes de qualquer limpeza no telemóvel.

2. Utilizar a função de libertar espaço neste dispositivo

Mais uma vez no seu perfil, a opção Liberte espaço neste dispositivo remove do telemóvel todas as fotos e vídeos que já estejam guardados na nuvem.

Esta limpeza é global, ou seja, limpa de uma só vez todos os ficheiros locais que tenham backup concluído. Não permite escolher foto a foto.

O resultado final é simples: as fotografias permanecem no Google Fotos online, mas deixam de ocupar espaço no telemóvel.

Este é o método mais seguro quando o objetivo é manter o arquivo na nuvem e libertar espaço físico no telemóvel.

Apagar fotos diretamente no Google Fotos

Se apagar fotos no Google Fotos (seja na aplicação ou na versão web), essas fotografias serão apagadas na nuvem mas também do telemovel.

Apagar apenas algumas fotos no telemóvel sem apagar na nuvem

Em princípio, não deveria haver razão para querer apagar fotografias do telemóvel e querer mantê-las no Google Fotos. Se já não quer uma fotografia, deve apagá-la no Google Fotos e automaticamente será também apagada do telemóvel. Ou então, quer limpar o armazenamento total do telemóvel, usando o processo que vimos acima.

Mas se quisesse mesmo, também não existe uma forma simples de remover do telemóvel apenas algumas fotos individuais, mantendo a sua cópia na nuvem!

Se estiver a usar o Google Fotos (com cópia de segurança ativada), se apagar fotografias na Galeria, quase seguramente (dependendo das configurações) que essas fotografias serão também automaticamente apagadas do Google Fotos.

Existe uma forma de o fazer, mas é muito trabalhosa, e não é recomendável. Antes de apagar as fotos locais, teria de desligar temporariamente a sincronização no Google Fotos. Depois, apagar na galeria apenas as fotos que pretendia remover do telemóvel. E, por fim, voltar a ligar a sincronização. Como vêem, complexo e também de pouca utilidade 


29 novembro 2025

Gestão das fotografias tiradas com o telemóvel

Durante a viagem de férias que estou a terminar, muitos dos companheiros de viagem, sabendo das minhas afinidades com as tecnologias digitais, abordaram-me com dúvidas sobre a melhor forma de gerir as fotografias tiradas com o telemóvel. 

Nota: Animem-se, não são só vocês, quase toda a gente tem as mesmas dúvidas. Eu próprio, tenho que confessar, tinha dúvidas sobre alguns aspetos das configurações que devemos fazer, sobre este tema, nos nossos telemóveis, que aproveitei, nestas férias, para as estudar e esclarecer.

As dúvidas que me foram colocadas giravam tipicamente à volta dos seguintes pontos:

  • Como criar e manter atualizada uma cópia de segurança das fotografias
  • Como gerir o espaço ocupado pelas fotografias no telemóvel
  • Qual o impacto das fotografias na ocupação do espaço disponibilizado gratuitamente pela Google (15 GB), e o que fazer se esse limite for atingido
Decidi, por isso, tentar fazer um pequeno guia simples sobre como gerir as fotografias tiradas com o telemóvel, e assegurar uma cópia de segurança das mesmas.

Irei, assim, abordar essencialmente o primeiro dos três pontos acima referidos, mas deixando, desde já, algumas pistas para os outros dois, aos quais voltarei mais tarde.

Introdução ao problema

Guardar fotografias de forma segura é uma preocupação muito comum entre utilizadores seniores. Hoje tiramos fotos com grande facilidade, mas depois ficam muitas dúvidas. Onde ficam guardadas as imagens? Como posso garantir que não as perco?

Este artigo pretende explicar de forma como se faziam as cópias de segurança no passado, e como funcionam agora serviços disponíveis na internet, como o Google Fotos, e qual a maneira mais simples e mais segura de organizar e limpar as fotos no telemóvel.

Como se faziam as cópias de segurança antigamente

Durante muitos anos, o processo era totalmente manual. Ligava-se o telemóvel ao computador com um cabo USB e copiavam-se todas as fotografias para uma pasta no computador, que passava assim a ser a cópia de segurança das fotografias tiradas e guardadas no telemóvel.

Mas se, entretanto, quiséssemos apagar as fotografias no telemóvel para libertar o espaço de armazenamento, manter as fotos apenas no disco do PC seria muito arriscado porque, caso ele se avariasse, perdiam-se todas as fotografias. Então, criava-se uma segunda cópia das fotografias guardadas nessa pasta para um disco externo, que passaria a ser a cópia de segurança das fotos no PC. E, assim, sempre que tirassemos novas fotos, deveríamos voltar a repetir todo o processo para manter tudo atualizado.

Este método, embora eficaz, era muito trabalhoso. Exigia tempo, organização e disciplina. Se o utilizador se esquecesse de atualizar a cópia durante algumas semanas, corria o risco de perder essas fotos em caso de avaria, perda ou roubo do telemóvel.

O aparecimento de serviço automáticos de backup na nuvem

Com a generalização do acesso à internet, começaram a aparecer muitos serviços especializados na execução de cópias de segurança, que nos vieram ajudar bastante. Os serviços mais conhecidos são o Google Fotos, da Google, normalmente associado aos nossos telemóveis Android, e o OneDrive, da Microsoft, que vem pré-configurado nos nossos PCs Windows. Existem, no entanto, muitos outros serviços, tais como o pCloud, o Dropbox, o Box e outros.

Com estes serviços, a cópia de segurança deixou de depender de cabos e de processos manuais. Assim que existe ligação à internet, as fotos novas são enviadas automaticamente para a conta do serviço configurado, onde ficam guardadas de forma segura.

As vantagens são evidentes:

  • A cópia é automática
  • Não exige operações complexas de manutenção
  • Permite aceder às fotos a partir de vários dispositivos
  • Protege contra perdas inesperadas.

O método manual oferece um controlo total, mas é mais trabalhoso e aumenta a probabilidade de falhas humanas. Na minha opinião, para a maioria das pessoas, um serviço de armazenamento de fotos na rede é mais simples, mais prático e mais seguro.

Para os passos seguintes iremos utilizar como exemplo o Google Fotos pela simples razão de este ser o serviço disponível em todos os telemóveis Android que, em Portugal, tem a maior quota de mercado, e mais ainda na nossa comunidade.

Embora o Google Fotos possa ser acedido através do browser em fotos.google.com, sugiro vivamente a instalação da aplicação Google Fotos a partir da Play Store.

Como configurar o Google Fotos para ter uma cópia de segurança permanente

Para garantir que todas as fotografias tiradas pelo telemóvel tenham uma cópia enviada para a nuvem, há que executar os seguintes passos:

  1. Abra a aplicação Google Fotos
  2. Vá às Definições (carregar no circulo no canto superior direito, que terá a sua fotografia ou iniciais, e escolher Definições da app Fotos)
  3. Escolha Cópia de segurança
  4. Ative a opção Cópia de segurança
  5. Sugiro vivamente que em Qualidade da cópia de segurança escolha Poupança de armazenamento
  6. Nesta página, em Criar cópia de segurança das pastas do dispositivo, pode também definir se quer que o Google Fotos também guarde, ou não, uma cópia de todas as fotografias e vídeos do seu WhatsApp. Eu optei por dizer que não. Quando quero guardar algo do WhatsApp no Google Fotos dou essa instrução, caso a caso.

Tendo feito isto, sempre que estiver ligado à internet, o Google Fotos enviará automaticamente para a nuvem uma cópia de todas as novas fotos. Se não houver ligação, as fotos ficam pendentes e serão automaticamente carregadas mais tarde.

A forma mais simples e segura de gerir e apagar fotografias

Em vez de usar duas aplicações distintas, a Galeria (que aceder às fotos armazenadas no telemóvel) e o Google Fotos (que acede à cópia dessas fotos já criada na nuvem), com comportamentos diferentes, o método mais claro e mais seguro consiste em tratar o Google Fotos como a aplicação principal para ver, organizar e apagar imagens.

A galeria deixa de ser usada para apagar fotografias, funcionando apenas como o sítio onde as imagens são inicialmente guardadas antes de serem enviadas para a nuvem.

O funcionamento fica então assim:

  • Se apagar uma fotografia diretamente no Google Fotos, ela será eliminada tanto na nuvem como na galeria do telemovel
  • Se quiser libertar espaço no telemóvel sem apagar nada da nuvem, deve usar a opção Remover do dispositivo dentro do próprio Google Fotos
  • Não é necessário, nem aconselhável, apagar fotografias através da galeria.

Este método evita confusões, elimina riscos de apagamentos indesejados e permite que o utilizador mantenha o telemóvel sempre leve, sem nunca perder memórias importantes.

Porque é que este modelo é o mais recomendado

É simples. Deste modo, há apenas um local para gerir fotografias.

É seguro. Uma fotografia só é apagada da nuvem se o utilizador a eliminar diretamente no Google Fotos.

É previsível. Não depende de definições complexas ou de comportamentos diferentes entre marcas de telemóveis.

Permite manter o dispositivo sempre com espaço livre, bastando usar Remover do dispositivo quando se pretende limpar o armazenamento.

Em conclusão

O Google Fotos permite guardar todas as fotografias de forma automática, segura e permanente. Usar o Google Fotos como o centro de gestão das imagens e evitar apagamentos diretos na galeria cria um sistema simples e robusto que reduz erros e confusões.

Na minha perspetiva, este é o método mais adequado para quem procura tranquilidade e quer garantir que as suas recordações ficam sempre protegidas.

26 novembro 2025

Os riscos escondidos dos assistentes de IA

A recente partilha, pela colega Graça Coelho, no nosso grupo WhatsApp, de um interessante e preocupante artigo publicado n'O Público (www.publico.pt/2025/11/23/mundo/noticia/desinformacao-russa-infiltrarse-inteligencia-artificial-afectar-respostas-chatgpt-2155066), inspirou-me a elaborar um pouco sobre este tema e algumas das suas perigosas implicações.

Como funcionam os assistentes de IA

A consulta a ferramentas de inteligência artificial, normalmente designadas como assistentes de IA generativa, tornou-se parte integrante do nosso quotidiano digital, mas estas funcionalidades levantam riscos que merecem uma análise mais detalhada.

Um dos problemas mais relevantes consiste na possibilidade de as respostas geradas por estes modelos poderem incorporar, inadvertidamente, conteúdos provenientes de sites de desinformação. A informação gerada pela IA resulta da consulta a grandes volumes de informação existentes na internet e não de um processo direto de validação das suas fontes. Quando essas fontes incluem campanhas organizadas, como as provenientes da Rússia ou de outros ecossistemas dedicados à manipulação informativa, uma resposta pode parecer plausível, mas basear-se em dados distorcidos introduzidos no espaço público digital por entidades maliciosas.

Quais são as alternativas

Em comparação, plataformas como a Wikipédia, embora não sejam perfeitas, possuem mecanismos de verificação comunitária e rastreabilidade das fontes. Também os sites oficiais de média seguem normas editoriais e critérios de validação e de responsabilização pública. A pesquisa efetuada nestes espaços oferece uma cadeia de confiança muito mais transparente, uma vez que o utilizador pode consultar a origem da informação, verificar o contexto integral e até acompanhar eventuais correções. Acresce ainda que o jornalismo independente constitui um dos pilares fundamentais da democracia, portanto a sua preservação deve ser encarada como prioridade absoluta.

Quais os riscos a prazo

A utilização intensiva da IA como primeiro e único ponto de consulta cria um efeito de deslocação que fragiliza o ecossistema dos média. Quando os utilizadores deixam de visitar diretamente os sites de informação, estes perdem tráfego e, consequentemente, receitas. Com menos receitas, as redações reduzem equipas, diminuem capacidade investigativa ou encerram projetos. Este risco é sério, porque enfraquecer o jornalismo significa enfraquecer a capacidade de escrutínio público que sustenta o funcionamento democrático.

Se a dependência da IA continuar a aumentar de modo indiscriminado, este ciclo irá agravar-se irreversivelmente. Menos acesso direto a fontes primárias implicará menor diversidade informativa e um contraditório mais limitado. Em consequência, esse ambiente facilitará a circulação de conteúdos manipulados. Ao mesmo tempo, o ecossistema de jornalismo independente a que os modelos de IA terão acesso ir-se-á reduzindo, degradando ainda mais a qualidade das respostas futuras e intensificando o problema, criando um círculo vicioso de erosão informativa difícil de reverter.

Em resumo

A IA é uma ferramenta valiosa quando usada de forma complementar. A prática saudável consiste em cruzar informações e confirmar dados em sites que publicam conteúdos originais. A consulta direta às fontes continua a ser indispensável para preservar a fiabilidade do conhecimento e proteger o papel essencial dos média.

Promover este equilíbrio é essencial para defender o jornalismo independente e assegurar que a democracia mantém os seus mecanismos de transparência e escrutínio.

20 novembro 2025

29/Nov: Dia Nacional das Universidades Seniores

Apesar de não ser um tema de informática, gostaria de assinalar aqui o Dia Nacional das Universidades Seniores, que se celebra no próximo dia 29/Nov.

Nesse dia de 2016 o Conselho de Ministros reconheceu formalmente (resolução n.º 76/2016) as Universidades Seniores (US) como “respostas socioeducativas” que promovem o envelhecimento ativo, através de atividades nas áreas social, cultural, do conhecimento, convívio, lazer, entre outras.

O Dia das Universidades Seniores afirma-se assim como um momento de celebração e reconhecimento do ensino ao longo da vida, sublinhando a importância social, educativa e cultural das instituições dedicadas à formação de adultos em idade avançada. A sua criação teve como objetivo principal valorizar o papel das universidades seniores enquanto espaços de aprendizagem contínua, convivência, bem estar e participação cívica. Pretende também dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por professores, voluntários, dirigentes associativos e centenas de alunos que, ano após ano, demonstram que a educação não tem limite de idade.

A origem desta efeméride remonta ao crescimento do movimento das universidades seniores em Portugal, iniciado no final da década de noventa. Inspiradas em modelos europeus de educação sénior, estas instituições surgiram com a missão de combater o isolamento, promover o envelhecimento ativo e proporcionar novas oportunidades de desenvolvimento pessoal. Ao longo dos anos, o conceito expandiu se rapidamente, constituindo hoje uma rede diversificada de entidades que integram atividades académicas, culturais, tecnológicas e artísticas.

A criação de um dia dedicado às universidades seniores surgiu como resposta natural à consolidação deste movimento. Pretendeu se instituir uma ocasião que permitisse partilhar boas práticas, reforçar o sentimento de pertença e destacar publicamente o contributo destas organizações para a qualidade de vida da população sénior.

A evolução do Dia das Universidades Seniores tem acompanhado a transformação da própria realidade social. A esperança média de vida aumentou e o perfil das pessoas mais velhas tornou se mais ativo, o que confere maior relevância a projetos educativos concebidos para esta faixa etária. Esta comemoração contribui de modo significativo para sensibilizar a sociedade para a necessidade de promover políticas de envelhecimento ativo, estimulando simultaneamente as instituições a inovar e a manter uma oferta formativa diversificada e inclusiva.

Assim, o Dia das Universidades Seniores não é apenas uma data simbólica. Representa o reconhecimento público de que a aprendizagem contínua constitui um direito ao longo de toda a vida, reforçando a ideia de que o conhecimento, quando partilhado em comunidade, se torna um instrumento poderoso de participação social e de realização pessoal.

Este ano, o programa para o Dia Nacional das Universidades Seniores reparte-se entre o Porto e a Madeira, e inclui:

Um colóquio no Porto, em parceria com a Universidade Sénior Consuelo Vieira da Costa. 

Visitas do presidente da RUTIS, Prof. Luís Jacob, a várias Universidades Seniores na Madeira.

Apresentação / divulgação do livro “Universidade Seniores Portuguesas: Educação, gerontologia e economia social”, escrito pelo presidente da RUTIS, Luís Jacob.

Uma declaração em vídeo da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Dra. Ana Godinho. 

Mensagens alarmistas nas redes sociais

Acerca das mensagens alarmistas que circulam regularmente nas redes sociais, como, por exemplo, a seguinte:

Olá, família e amigos:

A partir de amanhã, por favor, não enviem nem recebam fotos das redes sociais.

Por favor, excluam todas as fotos e vídeos de bom dia, boa noite e outras saudações e mensagens religiosas o mais rápido possível. Leiam o artigo a seguir com atenção e entenderão o porquê.

Leiam tudo! Por favor, enviem esta mensagem com urgência para o maior número possível de amigos para evitar invasões ilegais.

Atenção! Para quem gosta de enviar fotos de bom dia. Hoje, o Shanghai China International News enviou uma mensagem de socorro a todos os seus assinantes e especialistas: eles desaconselham o envio de fotos ou vídeos de bom dia, boa noite, etc.

A reportagem revela que hackers criaram essas imagens, que são muito atraentes. No entanto, existe um código de phishing oculto. Quando alguém envia essas mensagens, os hackers usam seu dispositivo para roubar informações pessoais, como dados de cartão bancário, e acessar seu telefone.

Há relatos de que mais de 500.000 vítimas foram vítimas de golpes.

Se quiser cumprimentar outras pessoas, escreva suas próprias saudações e envie suas próprias fotos e vídeos para proteger você, sua família e amigos.

Importante: O código malicioso leva tempo para ser implantado, portanto, se você agir imediatamente, ele não causará nenhum dano.

Notifique todos os seus amigos para evitar ser hackeado.

Diga olá com suas próprias palavras. Por favor, entenda! Todos nós temos um cartão bancário em nossos celulares e cada um tem muitos contatos. Essa invasão representa uma ameaça não apenas para você, mas também para o seu telefone, amigos e conhecidos. É brutal.

Esta é uma nova técnica usada por terroristas para acessar o cartão SIM do seu celular e transformá-lo em cúmplice deles!

* * * Encaminhe esta mensagem para o máximo de familiares e amigos que puder para impedir qualquer invasão não autorizada!

O texto acima, à semelhança de outros idênticos, apresenta várias características típicas de uma mensagem alarmista (em inglês, um hoax) injustificada que circula em cadeia. Uma análise formal e rigorosa da mensagem permite concluir que não existe fundamento técnico para a maior parte das afirmações feitas.

Seguem os principais pontos a reter.

Ausência de fonte credível

A mensagem cita o suposto Shanghai China International News, entidade que não corresponde a qualquer órgão de comunicação conhecido. Quando um alerta de segurança é legítimo, a informação é publicada por empresas de cibersegurança reconhecidas, fabricantes de sistemas operativos, operadores de telecomunicações ou órgãos oficiais. Nada disso acontece aqui.

Afirmações tecnicamente impossíveis ou altamente improváveis

Imagens estáticas ou vídeos simples, enviados por redes sociais, não conseguem conter código executável capaz de infetar um dispositivo moderno. Sistemas como o Android ou o iOS (iPhone e iPad) isolam rigorosamente conteúdos multimédia, impedindo a execução automática de código malicioso. O risco existiria apenas se o utilizador instalasse um ficheiro executável ou aplicasse permissões indevidas. Fotos de “bom dia” e “boa noite” não têm capacidade para aceder a cartões bancários, contactos ou ao cartão SIM.

Estrutura típica de corrente alarmista

A mensagem usa vários sinais clássicos de desinformação:

  • uso de linguagem emotiva e urgente
  • incentivo a “enviar para todos”
  • números redondos sem fonte verificável
  • ameaças vagas relacionadas com terrorismo
  • apelo ao medo associado a dados financeiros
Estas características sugerem que o objetivo é gerar pânico, não informar.

Ausência de mecanismo de ataque plausível

Não é tecnicamente viável inserir “código de phishing” numa imagem da forma como é descrito. Um ataque dessa natureza exigiria vulnerabilidades específicas no leitor de imagens ou no sistema operativo. Nenhum boletim de segurança reconhecido reportou algo semelhante.

Conselho

A recomendação verdadeira e sensata é esta: evitar clicar em links desconhecidos, instalar aplicações fora das lojas oficiais, ou fornecer permissões que não façam sentido. Conteúdos multimédia comuns, por si só, não constituem ameaça.

Em resumo

Mensagens como esta, embora aparentemente bem-intencionadas, acabam por criar ruído e ansiedade desnecessária. A proliferação de alertas falsos pode fazer com que as pessoas ignorem avisos legítimos quando estes surgem. A informação é útil apenas quando precisa e fundamentada. Por isso, a melhor prática é confirmar sempre a origem de um aviso antes de o partilhar com outros.

14 novembro 2025

Comprar e vender na Internet - Vantagens e cuidados

Hoje em dia, a internet tornou mais fácil comprar e vender produtos. No entanto, tal como acontece em muitos outros aspetos da vida, existem riscos que exigem atenção. Todos os anos surgem mais casos de fraudes e burlas, por isso é importante adotar alguns cuidados de segurança.

Verifique se um site é seguro

O primeiro passo é verificarmos se o site onde pretendemos comprar é seguro. A DECO PROteste tem uma ferramenta que permite verificar se um site apresenta riscos, como vírus, malware ou tentativas de fraude. Antes de abrir uma página desconhecida, pode usar este serviço em siteseguro.deco.proteste.pt.

Utilize um e-mail apenas para compras

Esta recomendação pode parecer um pouco excessiva. Pode perfeitamente usar o seu email habitual, mas criar um endereço de e-mail exclusivo para compras online pode ajudar a manter a organização e evita encher a sua caixa de entrada do email principal com publicidade.

Prefira cartões temporários ou virtuais

Para aumentar a segurança dos pagamentos, pode usar cartões temporários ou virtuais disponibilizados pelo seu banco ou pelo serviço MB Net na aplicação MB Way no telemóvel. Esses cartões têm apenas o valor que o utilizador define, o que reduz o risco de perdas em caso de roubo.

Muitos cartões exigem ainda uma confirmação adicional, como uma autorização na aplicação do banco. Este processo, chamado 3DSecure, torna as compras mais seguras.

Compre apenas a vendedores de confiança

Quer compre numa loja online, quer a uma pessoa particular, deve sempre confirmar que o vendedor é fiável. Veja as opiniões e comentários de outros compradores, que podem revelar comportamentos suspeitos.

Verifique também se o endereço do site começa por https:// ou se tem um cadeado ao lado. Estes sinais indicam que a ligação é segura. Evite entrar em sites através de links enviados por e-mail ou SMS e prefira escrever o endereço diretamente.

Tenha atenção a produtos contrafeitos

Todos os anos são apreendidos milhões de produtos falsificados. Comprar estes produtos é arriscado, uma vez que muitas vezes são feitos sem qualidade e com materiais proibidos.

Algumas plataformas de venda de produtos em segunda mão oferecem serviços de confirmação de autenticidade, embora possam ter custos adicionais. Leia com atenção as condições da plataforma, peça fotografias, e desconfie de preços demasiado baixos.

Se comprar um produto falsificado num site estrangeiro, existe a possibilidade de ele ficar retido na alfândega, sem direito a reembolso. Em caso de fraude, pode apresentar queixa às autoridades ou à ASAE.

Cuidado com ofertas que parecem demasiado boas

Se encontrar produtos com preços muito abaixo do normal, tenha cautela, pois pode tratar-se de uma burla. Também deve desconfiar de vendedores que pressionam a compra com histórias pessoais para acelerar a decisão.

Atenção a e-mails suspeitos

Alguns criminosos enviam mensagens que se fazem passar por lojas ou bancos para tentar roubar dados pessoais ou bancários. Nenhum banco pede dados de cartões ou códigos de segurança por e-mail.

Estas mensagens podem conter links perigosos que instalam programas maliciosos no computador. Não clique nesses links e nunca partilhe informações pessoais por e-mail.

Evite ainda usar redes Wi-Fi públicas para aceder ao banco ou fazer compras. É mais seguro utilizar a internet de casa e manter o antivírus atualizado. A internet veio facilitar a forma como as pessoas compram e vendem produtos.

Apesar de existirem muitas vantagens em efetuar compras e vendas online, pode também deparar-se com muitos perigos que minam a sua segurança. Ano após ano, existem cada vez mais denúncias de cibercrimes, sendo os mais comuns as fraudes, as burlas e o phishing (mensagens que fingem ser de origens credíveis, e que pedem para registar os seus dados pessoais). É importante adotar alguns cuidados de segurança para combater os riscos.

13 novembro 2025

Nova Loja do Cidadão Virtual: tratar de assuntos públicos sem sair de casa

A partir do dia 13 de novembro de 2025, os cidadãos portugueses podem tratar de grande parte dos seus assuntos com a Administração Pública sem sair de casa. O Governo lançou a Loja do Cidadão Virtual, uma plataforma digital que reúne, num só espaço online, mais de uma centena de serviços públicos.

Esta novidade vem facilitar a vida de todos, especialmente de quem prefere evitar filas ou tem dificuldade em deslocar-se.

O que é a Loja do Cidadão Virtual

A Loja do Cidadão Virtual é um site oficial do Governo que reúne mais de 150 serviços públicos num só local. Através da Internet, passa a ser possível pedir certidões, renovar documentos, consultar informações da Segurança Social ou das Finanças e muito mais — tudo com apenas alguns cliques.

Esta plataforma foi criada para simplificar a vida dos cidadãos, evitando filas, esperas e deslocações. É como ter uma Loja do Cidadão aberta 24 horas por dia, dentro do seu computador, tablet ou telemóvel.

Que serviços pode utilizar

A Loja do Cidadão Virtual vai disponibilizar, numa primeira fase, cerca de 150 serviços, 23 para os cidadãos particulares e 127 direcionados para empresas.

Entre os serviços disponíveis para particulares, estão:

  • Renovação/cancelamento do Cartão do Cidadão
  • Alteração de morada do Cartão do Cidadão
  • Ativar/alterar/cancelar Chave Móvel Digital
  • Renovar a Carta de Condução
  • Consultar pontos na Carta de Condução
  • Registar nascimentos
  • Iniciar processo de casamento

Como aceder

A Loja do Cidadão Virtual está disponível em gov.pt/loja-cidadao-virtual, recorrendo à Chave Móvel Digital, Cartão de Cidadão ou credenciais do portal das Finanças. Estes métodos garantem a autenticação e a assinatura digital de documentos de forma segura.

Para entrar na Loja do Cidadão Virtual, vai precisar de:
  1. Cartão de Cidadão válido;
  2. Chave Móvel Digital (CMD) – é uma forma simples e segura de confirmar a sua identidade online. Pode ser ativada gratuitamente nas Lojas do Cidadão ou no site www.autenticacao.gov.pt;
  3. Ligação à Internet;
  4. Computador, tablet ou telemóvel com um navegador atualizado (por exemplo, Chrome, Edge ou Safari).

O site foi feito a pensar na facilidade de uso, com menus simples e letras grandes. E se precisar de ajuda, haverá sempre apoio técnico disponível, tanto por telefone como online.

A Loja do Cidadão Virtual também pode ser acedida num telemóvel a partir da aplicação Gov.pt.

Benefícios diretos para os cidadãos

  • Menos deslocações e menos tempo perdido em filas;
  • Maior comodidade, com serviços disponíveis em qualquer lugar e a qualquer hora;
  • Acesso rápido a documentos e declarações;
  • Mais segurança, já que os dados são protegidos por sistemas de autenticação oficiais;
  • Apoio garantido para quem precisar de ajuda no uso da plataforma.

Desafios que ainda existem

Nem todos os cidadãos têm a mesma facilidade em usar a Internet. Por isso, é essencial continuar a promover a formação digital e a disponibilizar ajuda personalizada para quem tem menos experiência com computadores ou telemóveis.

Outro desafio é o acesso à Internet em zonas mais afastadas. Sem uma ligação estável, estas facilidades podem não chegar a todos.

Ainda assim, a criação da Loja do Cidadão Virtual é um passo importante para aproximar o Estado das pessoas, tornando o atendimento público mais moderno, rápido e acessível.

08 novembro 2025

Perdeu ou roubaram-lhe o telemóvel? Saiba o que fazer

Perder um telemóvel é muito mais do que perder o aparelho em si. Normalmente, lá dentro estão contactos, fotos, vídeos e dados pessoais ou bancários. Por isso, as primeiras horas são as mais importantes. Quanto mais depressa agir, maiores as hipóteses de recuperar o telemóvel ou evitar problemas.

O que fazer logo de início

Se foi roubo, é provável que o ladrão desligue o telemóvel rapidamente para não ser localizado. Pode também tentar usar as suas contas ou fazer compras em seu nome. Por isso, atue de imediato:

  1. Tente localizar o telemóvel através das ferramentas da Google (Android) ou da Apple (iPhone).
  2. Bloqueie o aparelho à distância, se possível.
  3. Apague os dados remotamente, para impedir o acesso a informações pessoais.
  4. Contacte a polícia e o operador de telecomunicações.
  5. Bloqueie o cartão SIM e altere as suas palavras-passe (email, banco, redes sociais).

Como localizar o telemóvel

Se tem Android (Samsung, Xiaomi, etc.):

  1. No seu telemóvel, ative previamente a função:
    Definições → Segurança e privacidade → Encontrar o meu dispositivo
    Certifique-se de que a opção está ligada.
  2. Se o telemóvel desaparecer, aceda noutro dispositivo ou computador a:
    www.google.com/android/find (Entre com a sua conta Google)
  3. Aí pode:

    • Ver a última localização conhecida;
    • Mandar o telemóvel tocar um som;
    • Bloquear o ecrã e mostrar um contacto;
    • Apagar todos os dados*à distância.

Se tem um iPhone, as operações serão ligeiramente diferentes, mas os conceitos e funcionalidades são os mesmos.

  1. Antes de acontecer algo, ative:
    Definições → [O seu nome] → Encontrar → Encontrar iPhone
    Ligue também a opção Enviar última localização.
  2. Se o perder, entre em:
    https://www.icloud.com/find (ou use outro dispositivo Apple com a mesma conta).
  3. Aí pode:

    • Ver a localização do iPhone;
    • Ativar o modo “iPhone Perdido” (bloqueia o aparelho e mostra um contacto);
    • Mandar tocar um som;
    • Apagar os dados remotamente, se necessário.
Atenção: Se apagar os dados, deixará de conseguir localizar o aparelho. Por isso, é importante ter cópias de segurança (backup)*das suas fotos e contactos na nuvem — Google Drive ou iCloud.

Contactar o operador e a polícia

Depois de tentar localizar o telemóvel:

  1. Não vá sozinho ao local indicado — contacte a polícia.
  2. Bloqueie o cartão SIM junto do operador.
  3. Peça o bloqueio do aparelho pelo número IMEI (digite *#06# no teclado para o saber).
  4. Apresente queixa na polícia e entregue o número IMEI e a fatura.
  5. Avise o seu banco e peça para bloquear operações feitas a partir do telemóvel.
  6. Se tiver seguro, contacte a seguradora e envie o auto da polícia.

Medidas de prevenção

Estas são **7 medidas simples** que pode ativar já, para evitar preocupações no futuro.

| Medida                      | O que fazer                                            | Benefício                     |
| --------------------------- | ------------------------------------------------------ | ----------------------------- |
| Bloqueio do ecrã            | Use PIN de 6 dígitos e, se possível, impressão digital | Impede acessos rápidos        |
| Atualizações                | Mantenha o sistema e aplicações atualizados            | Corrige falhas de segurança   |
| Palavras-passe fortes       | Use senhas diferentes para cada conta                  | Evita roubos de contas        |
| Backup automático           | Ative o Google Drive ou iCloud                         | Recupera fotos e contactos    |
| Localização ativa           | Mantenha ligada a opção “Encontrar o meu dispositivo”  | Permite localizar o telemóvel |
| IMEI anotado                | Guarde o número IMEI num local seguro                  | Necessário para bloqueio      |
| Autenticação em dois passos | Ative sempre que disponível                            | Aumenta muito a segurança     |

Perguntas frequentes

Posso localizar o telemóvel se estiver desligado?

Não em tempo real, mas verá a última localização registada antes de ser desligado.

O ladrão pode aceder ao meu banco?

Se o telemóvel não tiver um bom bloqueio, sim. Altere de imediato as palavras-passe e contacte o banco para bloquear a aplicação e os cartões associados (como os da Carteira Google ou Apple Wallet).

É possível bloquear o telemóvel com o IMEI?

Sim. Os operadores portugueses podem bloquear o equipamento, impedindo que funcione em qualquer rede.

E se o encontrar mais tarde?

Pode restaurar o backup (Google Drive ou iCloud) e pedir uma segunda via do cartão SIM ao operador.

Carteira da Google: como usar o telemóvel para pagamentos

A Carteira da Google (Google Wallet) é uma aplicação gratuita para telemóveis Android que permite guardar no telemóvel vários cartões e documentos, e também fazer pagamentos por aproximação, sem precisar de tirar o cartão físico da carteira.

Nota para utilizadores de iPhone: Nos telemóveis iPhone existe uma aplicação semelhante, também chamada Carteira, com funções muito parecidas.

Para que serve

A Carteira da Google funciona como uma carteira digital. Permite guardar, de forma prática e segura, vários tipos de informação do dia-a-dia, e usá-la sempre que precisar.

Por exemplo:

  • Cartões de banco (débito ou crédito) para fazer pagamentos por aproximação ('contactless')
  • Cartões de lojas, descontos e cartões-presente
  • Bilhetes e passes de transportes, aviões ou espetáculos
  • Cartões digitais de hotéis ou automóveis (em alguns países)
  • Documentos de identificação ou certificados de saúde, onde essa função já estiver disponível

Vantagens

A principal vantagem da Crteira Google é a sua conveniência.

Tudo fica guardado no telemóvel, o que significa menos objetos para levar no dia a dia. Se precisar de pagar, basta aproximar o telemóvel da máquina do multibanco e confirmar com o dedo (impressão digital) ou com o reconhecimento facial.

É também uma solução segura. Quando paga com a Carteira da Google, os dados do seu cartão não são partilhados com a loja. É usado um código temporário, o que reduz o risco de clonagem ou fraude.

Outra vantagem é a organização. Como o telemóvel está sempre consigo, evita esquecer cartões em casa ou perder a carteira.

Limitações e cuidados

Há alguns pontos a ter em conta:

  • Nem todos os bancos permitem ainda usar os cartões na Carteira da Google. É preciso confirmar se o seu banco é compatível.
  • O telemóvel tem de ter a tecnologia NFC (que permite pagamentos por aproximação). Se não tiver, não poderá usar esta função.
  • É importante ter o telemóvel protegido por código, impressão digital ou reconhecimento facial, para impedir que outra pessoa aceda à carteira.
  • Se o telemóvel ficar sem bateria, não poderá usar a Carteira até o carregar novamente.

Como começar a usar

Começar a usar a Google Wallet é simples e não requer grandes conhecimentos técnicos.

  1. Verifique se o seu telemóvel é compatível
    Confirme que tem um telemóvel Android relativamente recente e que inclui NFC.
  2. Instale ou atualize a aplicação
    Procure “Carteira Google” na Play Store. Se já estiver instalada, verifique se há atualizações disponíveis.
  3. Adicione os seus cartões ou bilhetes
    Abra a aplicação e toque em “Adicionar à Carteira”. Depois escolha o tipo de cartão ou bilhete que quer guardar. Em muitos casos, a aplicação reconhece automaticamente a informação.
  4. Defina a Carteira da Google como aplicação principal de pagamento
    Nas definições do telemóvel, selecione a CarteiracGoogle como aplicação de pagamento por defeito.

A partir daí, basta ter o NFC ligado, aproximar o telemóvel do terminal de pagamento e confirmar a transação.

Porque pode ser útil

A Carteira da Google pode facilitar muito o dia a dia.

Quem usa transportes públicos, aviões ou bilhetes de espetáculos pode guardar tudo no telemóvel e evitar papéis e cartões.

Quem costuma pagar por aproximação pode dispensar o cartão físico e usar apenas o telemóvel.

É uma solução prática e segura, que não exige conhecimentos técnicos. Depois de configurada, basta usar — e com o tempo, torna-se um gesto natural.

Wikipédia: o que é, qual a sua importância e as ameaças a que está sujeita

Não sei se todos já ouviram falar da Wikipédia. Trata-se de uma enciclopédia online, que nos permite consultar informação estruturada (e validada!) sobre virtualmente qualquer tema. É um recurso de uma utilidade incomensurável, mas que, infelizmente, um pouco à semelhança do que se passa com quase toda a imprensa livre, se encontra atualmente perante grandes desafios que ameaçam a sua existência.

O que é a Wikipédia

A Wikipédia é uma enciclopédia digital colaborativa, multilingue e de acesso livre, criada com o propósito de reunir e disponibilizar o conhecimento humano de forma aberta e gratuita. Desde o seu lançamento em 15 de janeiro de 2001, tornou-se uma das fontes de informação mais consultadas do mundo, figurando entre os websites mais visitados da Internet.

Um pouco de História

A Wikipédia foi criada por Jimmy Wales e Larry Sanger, a partir de um projeto inicial - Nupedia - uma enciclopédia online cuja redação dependia de especialistas e da revisão dos textos por pares, o que tornava o processo lento e pouco participativo.

Para ultrapassar essa limitação, a Wikipédia introduziu um modelo aberto, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, pudesse criar ou editar artigos diretamente.

A utilização do software wiki, foi o ponto de viragem que possibilitou este novo modelo de colaboração. O nome “Wikipédia” resulta da junção das palavras wiki (do havaiano, “rápido”) e “encyclopedia”.

Desde então, a enciclopédia cresceu exponencialmente: em 2025, conta com dezenas de milhões de artigos em centenas de línguas, mantidos por uma comunidade global de voluntários. O projeto é gerido pela Wikimedia Foundation, uma organização sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos.

Conceitos Fundamentais

A Wikipédia assenta em cinco princípios básicos, conhecidos como os “Cinco Pilares”:

  1. Enciclopédica – o seu conteúdo deve basear-se em fontes verificáveis e não em opiniões pessoais.
  2. Ponto de vista neutro – os artigos devem apresentar factos e interpretações de forma equilibrada, sem favorecimentos ideológicos.
  3. Conteúdo livre – toda a informação é publicada sob licenças abertas, permitindo a reutilização e modificação.
  4. Etiqueta e civilidade – os colaboradores devem agir com respeito e espírito de cooperação.
  5. Sem regras fixas – as normas são guias flexíveis, subordinadas ao objetivo principal de melhorar a enciclopédia.

Estes princípios refletem uma filosofia de conhecimento partilhado, descentralizado e comunitário, que marcou uma nova era no acesso à informação.

Importância para a Sociedade

O aparecimento da Wikipédia veio democratizar o conhecimento. Em vez de depender de instituições académicas, editoras ou especialistas selecionados, qualquer cidadão pode contribuir para a construção coletiva do saber. Este modelo de produção colaborativa inspirou inúmeras iniciativas educativas e culturais, tornando-se um exemplo paradigmático do poder do voluntariado digital e do open source.

Além disso, o seu papel educativo é inestimável: serve como ponto de partida para estudantes, professores, jornalistas e investigadores, e é um recurso essencial em contextos onde o acesso a livros e bases de dados é limitado.

Ameaças e Desafios na Era da Inteligência Artificial

Nos últimos anos, o surgimento de sistemas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, o Gemini (da Google), o Copilot (da Microsoft) e outros modelos de linguagem, tem levantado novas e fundadas preocupações para o futuro da Wikipédia.

Estes sistemas são capazes de gerar textos informativos e explicativos em segundos, respondendo a perguntas de forma direta e conversacional. Embora muitas das suas respostas sejam baseadas em conhecimento derivado, direta ou indiretamente, da Wikipédia, o utilizador raramente é encaminhado para a fonte original.

Como resultado, há o risco de:

  • Redução do tráfego para a Wikipédia, o que diminui a visibilidade e a contribuição comunitária
  • Dependência das IA para obter informação, mesmo quando estas não citam fontes ou apresentam erros
  • Desincentivo à participação dos editores voluntários, que podem sentir que o seu trabalho é absorvido e replicado por sistemas automáticos sem qualquer reconhecimento da sua contribuição inicial

A longo prazo, a sustentabilidade do modelo colaborativo da Wikipédia poderá ser comprometida se a IA substituir a consulta direta da enciclopédia, sem devolver crédito ou tráfego.

O aparecimento da Grokpedia e as diferenças ideológicas entre os dois projetos

O recente lançamento (final de Outubro de 2025) da Grokpedia, um projeto associado ao ecossistema da xAI (empresa de Elon Musk), introduziu uma alternativa com um posicionamento ideológico distinto. Enquanto a Wikipédia mantém uma orientação declaradamente neutra, baseada em políticas comunitárias de verificação e imparcialidade, a Grokpedia defende uma abordagem mais “livre de censura”, assumindo que a neutralidade absoluta é impossível.

As diferenças entre ambas são claras:

  • A Wikipédia privilegia o consenso e a validação por fontes verificáveis, mesmo que isso implique eliminar opiniões controversas ou não fundamentadas
  • A Grokpedia tende a incluir perspetivas minoritárias ou não convencionais, em nome da liberdade de expressão, mesmo que a verificação factual seja mais flexível

Do ponto de vista ideológico, a Wikipédia procura equilibrar pluralidade com rigor enciclopédico; a Grokpedia valoriza o confronto de ideias, mesmo que isso implique menor filtragem científica.

A Wikimedia Foundation, responsável pela Wikipedia, reagiu ao lançamento da Grokipedia com um recado claro: “até a Grokipedia precisa da Wikipedia para existir”. A frase não foi gratuita, muitos dos artigos da nova plataforma parecem basear‑se, direta ou indiretamente, no vasto acervo da enciclopédia colaborativa original.

Enquanto isso, académicos e especialistas em tecnologia já identificaram problemas recorrentes na Grokipedia: viés ideológico, erros factuais e até cópia literal de textos da Wikipedia. Isto levanta dúvidas legítimas sobre a sua fiabilidade, independência editorial e grau real de inovação.

Em conclusão

A Wikipédia continua a ser uma das maiores conquistas do conhecimento colaborativo do século XXI. O seu valor reside não apenas na quantidade de informação que contém, mas sobretudo no modelo social e ético que representa: uma comunidade global que trabalha, de forma gratuita e voluntária, pela difusão do saber.

Contudo, a ascensão da inteligência artificial coloca desafios profundos à sua relevância e sustentabilidade. O futuro da Wikipédia dependerá da capacidade de adaptação a esta nova realidade, reforçando o seu rigor, a transparência das fontes e a ligação entre humanos e máquinas.

Se a Wikipédia simboliza o ideal do conhecimento partilhado, a sua defesa é, em última análise, a defesa do próprio espírito colaborativo da Internet.

05 novembro 2025

Cookies: o que são, como funcionam e que riscos podem apresentar

Sou frequentemente questionado por muitos de vós sobre os 'cookies', com perguntas muitas vezes associadas a receios de segurança e de violação de privacidade. Numa primeira resposta breve, queria dizer que acho que a maioria desses receios é razoavelmente infundada. Mas achei que seria oportuno debruçarmo-nos com mais detalhe sobre esse tema. E, para o fazer, decidir pedir uma ajuda ao ChatGPT. Eis as respostas:

O que são e como funcionam

Os cookies são pequenos ficheiros de texto que os sites guardam no dispositivo do utilizador (computador, tablet ou telemóvel) através do navegador. Servem para armazenar informações temporárias sobre a navegação, permitindo que o site “reconheça” o utilizador em visitas futuras ou durante a mesma sessão.

Cada cookie contém um pequeno conjunto de dados, como:

  • um identificador único de sessão ou utilizador
  • preferências de idioma, país ou tipo de visualização
  • informações de autenticação (por exemplo, manter o utilizador ligado após o login)
  • dados de navegação usados para estatísticas ou personalização de conteúdo

Quando o utilizador regressa ao mesmo site, o navegador envia novamente esses cookies, permitindo ao servidor “lembrar-se” de certas ações ou preferências.

Tipos principais de cookies

  1. Cookies essenciais ou técnicos: necessários para o funcionamento básico do site (ex.: autenticação, carrinho de compras)
  2. Cookies de preferência ou funcionalidade: guardam opções do utilizador (ex.: idioma ou tema)
  3. Cookies analíticos ou de desempenho: recolhem dados estatísticos sobre como o site é usado (ex.: páginas mais visitadas)
  4. Cookies de marketing ou rastreamento: usados para seguir o utilizador entre sites diferentes e criar perfis de interesse, muitas vezes para publicidade direcionada
  5. Cookies de terceiros: não são criados pelo site visitado, mas por serviços externos integrados, como Google, Facebook ou YouTube

Riscos de privacidade

Os riscos dependem essencialmente do tipo de cookies:

  • Os cookies próprios e essenciais raramente representam perigo, já que apenas armazenam dados funcionais
  • Os cookies analíticos, mesmo que anónimos, podem levantar preocupações se o serviço de análise for externo (ex.: Google Analytics)
  • Os cookies de marketing e de terceiros são os mais problemáticos, pois permitem o rastreio da atividade online do utilizador entre sites diferentes, criando perfis detalhados de comportamento e interesses sem consentimento totalmente informado

Estes perfis podem ser usados para publicidade personalizada, segmentação política, ou partilha com outras empresas de dados, o que levanta sérias questões de privacidade e controlo de dados pessoais.

Partilha de dados pessoais

Os cookies, por si só, não contêm dados pessoais identificáveis, como nome ou email. No entanto:

  • podem tornar-se dados pessoais se estiverem associados a uma conta ou a identificadores únicos (por exemplo, cookies ligados a uma conta Google ou Facebook)
  • quando há cookies de terceiros, esses dados são efetivamente partilhados com as entidades externas que fornecem os serviços incorporados no site (publicidade, estatísticas, vídeos, etc.)
  • essa partilha implica que essas entidades possam combinar as informações recolhidas com outros dados que já detêm, construindo perfis detalhados de cada utilizador

Como proteger-se

  • Gerir cookies no navegador: apagar periodicamente, bloquear cookies de terceiros ou usar modo de navegação privada.
  • Ver e ajustar as preferências de cookies nos sites: muitos apresentam banners de consentimento conforme o RGPD.
  • Usar extensões de privacidade (ex.: uBlock Origin, Privacy Badger).
  • Evitar iniciar sessão em redes sociais enquanto navega noutros sites, para reduzir o rastreamento cruzado.

Opinião

Os cookies são uma tecnologia útil e quase indispensável para o funcionamento moderno da web. O problema não está na sua existência, mas no uso abusivo e na falta de transparência sobre a forma como são usados para recolher e cruzar dados pessoais. Uma gestão consciente e informada por parte dos utilizadores, aliada a políticas rigorosas de consentimento e auditoria dos sites, é essencial para equilibrar conveniência e privacidade.

02 novembro 2025

Partilhar o mesmo computador por várias pessoas: como criar contas independentes

Acontece frequentemente querermos partilhar o mesmo computador por várias pessoas. As razões poder ser muito variadas. Poderá ser entre marido e mulher, se não tiverem, cada um, o seu PC próprio. Ou poderá ser porque os nossos netos nos pediram para jogar um jogo no nosso PC. Poderá a questão não se colocar com o PC, mas com um único tablet que todos usam lá em casa.

Para além da óbvia quebra de sigilo de informação (podemos não ter propriamente segredos, mas também não temos que partilhar todos os detalhes da nossa vida), há um risco sério de quebra de segurança, uma vez que os nossos acessos e respetivas credenciais podem ficar expostos. E, se com o nosso cônjugue, ainda  podemos ter confiança nos seus cuidados de utilização, já a ingenuidade, inexperiência e falta de conhecimento dos nossos netos nos podem colocar em riscos mais graves. E, como mínimo, vermos aparecer, no nosso Ambiente de Trabalho e nos nossos Documentos, programas e ficheiros que não sabemos o que são, nem de onde vieram (teria sido uma fonte segura e credível, ou algum site 'manhoso' de origem duvidosa) nem o que fazem, não é uma situação aceitável.

Tendo dito isto, gostava de assentar numa regra: cada pessoa que use um computador tem que ter um ambiente totalmente independente e compartimentado, ou seja, tem que ter a sua própria conta!

Comecemos pelo princípio. Quando fizeram (ou alguém fez por vós) a configuração inicial do vosso PC, tiveram de identificar a pessoa que o ia usar. Podem ver essa definição nas Definições do Windows (ver figura para Windows 11; em Windows 10 terá uma aparência ligeiramente diferente):


O que teremos de fazer é agora criar uma segunda conta para utilização do nosso computador por outra pessoa. Para isso, na mesma página de Contas nas Definições, escolher Outros utilizadores:


No ecrã seguinte, selecionar Adicionar conta:


No ecrã seguinte, é perguntado como é que a nova pessoa irá iniciar sessão.

Se se tratar, por exemplo, do vosso cônjugue, deverão indicar o seu email, e seguir o processo.

No caso de um neto, que eventualmente ainda não tenha o seu próprio email, deverão selecionar Não tenho a informação de início de sessão desta pessoa:


Seguidamente, o Windows sugere a criação de uma nova conta de email a ser usada como conta Microsoft, ao que vão responder que querem Adicionar um utilizador sem uma conta Microsoft:


Seguidamente, o Windows vai pedir:
  • O nome do novo utilizador
  • Uma password a ser atribuída a esse utilizador
  • A resposta a 3 perguntas de segurança (que servirão para se identificarem caso venham a perder a password agora definida)


Terminado esse último passo, e carregando em Seguinte, a nova conta está criada:


Após terem criado a(s) nova(s) conta(s), nada de novo acontecerá até arrancarem de novo com o computador. 

A partir deste momento, sempre que arrancarem com o computador, verão, na página inicial, no canto inferior direito, a indicação das várias contas existentes no computador. Basta agora escolherem a conta adequada e prosseguir com o arranque.